sábado, 30 de janeiro de 2010

Guerra à Monsanto

Do Diário de Cuiabá

Em Cuiabá, a Aprosoja prepara ação judicial contra a empresa e, em Sinop produtores também devem seguir o mesmo caminho
MARCONDES MACIEL e TANIA RAUBER
Da Reportagem

A guerra dos produtores mato-grossenses à Monsanto – multinacional detentora da tecnologia de sementes transgênicas da soja, conhecida como RR (Roundup Ready) – está declarada. Depois de esgotadas todas as tentativas de diálogo com a empresa, os produtores já pensam em acionar a Justiça. Em Cuiabá, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja) prepara ação judicial contra a Monsanto. E, em Sinop (500 Km ao Norte de Cuiabá), os produtores também estudam entrar na Justiça contra a empresa.

A Aprosoja quer saber se os valores pagos em royalties pelos sojicultores são devidos. “Queremos saber que tipo de patente que está gerando esta cobrança, pois dependendo da patente, a empresa não direito de cobrar nada. Precisamos saber também o período de validade da patente”, explica o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira.

Em Mato Grosso, os produtores elevaram a área plantada de transgênicos de 2,6 milhões de hectares (safra 2008/09) para cerca de três milhões de hectares na safra deste ano. A expansão da área vai aumentar também o lucro da Monsanto, que saltará de R$ 39 milhões para R$ 45 milhões de uma safra para outra, incremento de 15,38%. O valor cobrado pela Monsanto pelo uso da patente, de acordo com cálculos dos produtores, é de R$ 15 por hectare.

A Aprosoja pretende fazer uma notificação para que a Monsato apresente justificativas para a cobrança do royalties. “Temos informações de que a Monsanto está induzindo as sementeiras do Estado a produzir somente sementes transgênicas”, denuncia Silveira. Em Mato Grosso, os transgênicos já ocupam metade de toda a área plantada de soja, cerca de 6 milhões de hectares.

SINOP - Depois de várias conversações, sem resultado, o Sindicato Rural de Sinop estuda propor ação contra a Monsanto. Atualmente, cerca de 50% das lavouras da região Norte de Mato Grosso são cultivadas com variedades transgênicas. Estas se diferenciam das convencionais por serem tolerantes à herbicida à base de glifosato, usado para dessecação pré e pós-plantio, para eliminar qualquer tipo de planta daninha.

Essa tolerância faz com que o agricultor possa aplicar apenas esse herbicida sobre a soja, reduzindo assim seus custos de produção e o número de aplicações. Porém, o questionamento do setor é quanto a cobrança dos royalties pelo uso da semente.

O presidente do Sindicato, Antônio Galvan, explicou que são feitas duas cobranças. A primeira delas na compra da semente, por meio de boletos. “Em janeiro, eles cobraram R$ 0,45 cada quilo de semente, o que equivale a cerca de 30% do preço da saca”.

O principal questionamento é quanto a segunda cobrança, que é feita na saída do produto. Ao chegar nos armazéns, o grão passa por um teste que vai apontar se é transgênico ou não. O problema ocorre porque, em muitos casos, a oleaginosa convencional é contaminada e os produtores acabam tendo que pagar os royalties sem ter adquirido sementes transgênicas.

Isso ocorre tanto na lavoura, por meio de polinização ou na hora do plantio, quanto na hora de estocar a safra. “Se tiver uma lavoura de soja transgênica ao lado de uma convencional, na época da florada, pode ocorrer a polinização. Se as máquinas, na hora do plantio, não forem bem limpas e ficar algumas sementes de transgênicos, também pode haver a contaminação. Desta forma, na hora dos testes, são consideradas transgênicas”.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ATRAZINA

A Pesticide Action Netwok – PANNA trás informação referindo-se a Syngenta como a maior corporação de pesticidas no mundo e a responsável pela invenção da atrazina.

Informa que a Syngenta continuando a ser a defensora mais agressiva deste produto químico.

Com sede na Suíça, a Syngenta tem o controle monopolista sobre agrotóxicos cada vez mais global, bem como forte presença no mercado de sementes.

A atrazina é um produto que rendeu a Syngenta um crescimento de seu lucro líquido da ordem de 75% em 2007, e outros 40% em 2008. A partir de 2008, a Syngenta passou a controlar quase um quinto do mercado mundial de agroquímicos.

A atrazina, está proibida na Suíça, país de origem da Syngenta e em toda Europa, desde 2004, devido a preocupações com a contaminação da água. Segundo A PANNA a empresa tem usado os seus bolsos para minar a integridade científica, intimidar cientistas independentes, e influenciar as decisões regulamentares nos E.U. A.


A Pesticide Action Netwok, informa que a atrazina passou por recente revisão realizada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América – EPA, onde a Syngenta realizou mais de 50 reuniões a portas fechadas com os administradores da agência.

A atrazina é um dos herbicidas mais utilizados nos E.U. A, e é encontrada em 70% da água analisada naquele país, mais freqüentemente do que quaisquer outros pesticidas. Estima-se que sete milhões de pessoas foram expostas a atrazina na água potável entre 1998 e 2003.

No outono de 2009, a EPA deu início a uma nova revisão da atrazina, em função da exposição generalizada do público e, ainda, em função da existência de um crescente corpo de evidências, indicando ser este agrotóxico prejudicial à saúde humana, mesmo em exposição a baixos níveis Este processo de revisão está aberto.


Atrazina e saúde humana

A presença generalizada da atrazina no ambiente constitui um risco para os seres humanos, fauna e ecossistemas. O produto químico é conhecido por ser um potente disruptor endócrino, interferindo na atividade hormonal de animais e seres humanos em doses extremamente baixas.

O Dr. Tyrone Hayes e outros cientistas conduziram pesquisas com rãs onde puderam demonstrar que uma exposição menor que 0,1 partes por bilhão pode causar efeitos graves na saúde, incluindo uma espécie de castração química.

Estudos mostram que a atrazina pode também influenciar o sistema reprodutivo humano, diminuindo a contagem de espermatozóides e aumento das taxas de infertilidade.

A atrazina tem sido associada ao elevado risco de vários tipos de câncer, incluindo o linfoma não-Hodgkin, câncer de mama e de próstata. Ela, também, pode retardar o desenvolvimento das glândulas mamárias e induzir o aborto em roedores de laboratório. Um corpo crescente de pesquisas com a atrazina demonstram a ocorrência de defeitos congênitos como fissura palatina, espinha bífida e síndrome de Down. Estudos epidemiológicos indicam que níveis muito baixos de exposição através da água contaminada durante períodos-chaves da gravidez pode interferir no desenvolvimento do feto.

A PANNA resumiu estudos recentes a fim de documentar os efeitos na saúde humana da atrazina.

Fonte: Pesticide Action Network