quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Criança é envenenada durante tratamento em Centro Médico de Campo Largo - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo

Seria de bom tom que a ANVISA suspendesse definitivamente a autorização de o uso em todo o país, dado que este produto já produziu muitas intoxicações e mortes. Deve-se pensar numa suspensão radical que inclua os estados onde ainda está autorizado seu uso que são São Paulo, Minas Gerais e Bahia, dado mesmo que já se tem substituto no mercado.
Veja a matéria a seguir:
Criança é envenenada durante tratamento em Centro Médico de Campo Largo - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Promoção da Saúde, Sustentabilidade e Agroecologia: uma discussão intersetorial


Com o titulo postado acima as Professoras Elaine de Azevedo da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Grande Dourados e Maria Cecília Focesi Pelicioni da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo discutem as questões da intersetorialidade da Agroecologia com a Saúde Pública em suas dimensões econômica, ambiental e cultural.


Neste artigo analisam que apesar da abordagem conceitual dos ideários de Agroecologia e da Promoção da Saúde possuírem diretrizes comuns, esses dois campos científicos e práticos não têm dialogado.

Assim a Agroecologia e sua potencial ação para a promoção de saúde no meio rural não têm sido discutidas na Saúde Pública e na Promoção da Saúde; por sua vez, tais áreas tampouco têm produzido conhecimentos que possam contribuir para o fortalecimento da Agroecologia enquanto estratégia de promoção da saúde.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

CCJ aprova novas regras para aplicação aérea de agrotóxicos


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta terça-feira novas regras para a aplicação de agrotóxicos por aeronaves. De acordo com a proposta (PL 740/03) do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), os agrotóxicos só poderão ser aplicados por via aérea se o desvio do produto para áreas próximas não causar perda ou dano a plantações, a animais terrestres ou aquáticos, a áreas de proteção ambiental ou de preservação permanente, e à saúde da população.

O projeto também proíbe a aplicação aérea de agrotóxicos que tenham em sua composição química o ácido 2,4-D (diclorofenoxiacético). Segundo Dr. Rosinha, há indícios de que o produto seja cancerígeno. Esse foi o ponto mais debatido na comissão, uma vez que o produto é usado em grandes áreas de plantio, principalmente em soja. “Em nosso estado, a aplicação do 2,4-D garante o plantio econômico de soja, e muitos agricultores seriam prejudicados com a proibição, porque a pulverização por avião é muito mais barata que por trator. Com a tecnologia atual, há controle total”, contra-argumentou o deputado Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS).

O relator na CCJ, deputado Vilson Covatti (PP-RS), apresentou parecer contrário à proposta, argumentando que todas as precauções que constam do texto já existem na Lei de Agrotóxicos e nas regulações da aviação agrícola, feita por portarias e normas ministeriais. “A simples proibição do 2,4-D não vai resolver, porque o problema decorre do descumprimento das normas de sua aplicação, e não do instrumento ou do produto”, disse.

O parecer de Covatti, no entanto, foi derrotado, e a comissão adotou o parecer do deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), para quem a colocação em leis de normas já existentes, como portarias, não prejudica projetos de lei. “Hoje, a aplicação de 2,4-D por aeronaves já é ilegal por força de instruções normativas, logo não seria inconstitucional aprovar uma lei que garanta essa medida”, destacou Dr. Rosinha.

Tramitação

Duas comissões tiveram pareceres contrários sobre a proposta. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou o projeto sem a proibição do ácido 2,4-D, enquanto a de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável frisou que a proibição é essencial. Por essa razão, o projeto, que tramitava em caráter conclusivo, ainda será analisado pelo Plenário.

Agência Câmara
Autor: Marcello Larcher

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

AGROTÓXICOS NO BRASIL

Importante documento organizado por Flavia Londres com o apoio da ANA - Articulação Nacional de Agroecologia e da RBJA - Rede Brasileira de Justiça Ambiental de fácil leitura. Recomendado para aqueles que querem bem se informar sobre o assunto.

O documento encontra=se disponível na página da AS-PTA Agricultura familiar e agroecologia

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Secretaria da Saúde do Paraná implementa Programa de Analise de Resíduos de Agrotóxicos - PARA

Governo fiscalizará níveis de agrotóxicos em alimentos

O secretário da Saúde, Michele Caputo Neto, assinou no início deste mês a resolução 217/2011 que cria o Programa Estadual de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos. O objetivo é regular e fiscalizar o uso dessas substâncias na produção de alimentos, visto que o consumo de produtos alimentícios com resíduos de agrotóxicos pode ser nocivo à saúde.

Segundo Caputo Neto, para evitar possíveis intoxicações é necessário um monitoramento constante dos processos de produção. “O programa preza pela segurança alimentar da população, por isso serão coletadas amostras de alimentos em todo o Paraná e enviadas para análise no Laboratório Central do Estado”, explicou. O Lacen será responsável pela execução das análises, contudo o programa prevê ampliar posteriormente o número de laboratórios credenciados.

A operacionalização da coleta de amostras no comércio será viabilizada através de pactuações entre a secretaria Estadual da Saúde e as prefeituras municipais. Inicialmente o programa vai orientar produtores, comerciantes e consumidores em geral sobre os riscos do manuseio de agrotóxicos e do consumo de alimentos com níveis elevados dessas substâncias.

De acordo com o coordenador do programa e chefe do departamento de Vigilância Sanitária, Paulo Costa Santana, a fiscalização no comércio ficará a cargo das equipes municipais de vigilância sanitária, que deverão realizar o rastreamento dos produtores. “Se o comércio não possuir um documento que ateste a origem do produto, o estabelecimento será autuado e estará sujeito às sanções vigentes”, disse.

Santana também ressaltou que os alimentos hortifrutigranjeiros serão o foco principal das fiscalizações, pois eles apresentam os grandes índices de intoxicações por agrotóxicos.

No caso da comprovação da existência de resíduos de agrotóxicos em níveis elevados ou substâncias proibidas pela Anvisa nas amostras, o produtor será notificado pela secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná e seus produtos serão retirados imediatamente do mercado.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde

terça-feira, 13 de setembro de 2011

BRASIL

CONSOLAÇÃO PARA OS PRINCIPIANTES

Vede a criança cercada de porcos grunhidores,
desarmada, encolhendo os dedos dos pés.
Chora, apenas sabe chorar.
Será capaz de ficar em pé e caminhar?
Coragem! E penso eu, a seguir,
Podereis ver a criança dançar;
logo que esta consiga manter-se de pé havereis de vê-la caminhar de cabeça para baixo.

Friedrich Wilhelm Nitetzsche in "A GAIA CIENCIA"

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS

O texto abaixo foi escrito pelo Deputado Estadual do Paraná Luiz Eduardo Cheida, tratando com seriedade necessária as questões pertinente aos estudos toxicológicos e o uso de animais em laboratório, senão vejamos:
"
Para se colocar um remédio na praça, primeiro dá para um bicho engolir. Morreu? Reduz a dose e tenta de novo! Sobreviveu? Bota no balcão da farmácia que o negócio é faturar!

E, na poeira destas experiências com animais, diria Laurinho, meu prezado de Alto Alegre:

- Muito macaco, rato e coelho foi esperdiçado.

Para ser quase preciso, pois não há quem saiba o número de cobaias submetidos a experimentos científicos no mundo, estima-se que a cada ano, só os EUA usem 35 milhões de animais; o Japão, 8 milhões e a Inglaterra, 4 milhões. Não se contam aí a França, Itália, Suíça, Bélgica, Canadá e seus impérios farmacológicos e de cosméticos, e 160 países mais, que também fazem experimentos, na imensa maioria, inúteis.

A requisição destes milhões de seres, durante os últimos cem anos, aos poucos fez vicejar e agigantou uma verdadeira indústria de gaiolas, mordaças, cordas, algemas, seringas, agulhas, soros, medicamentos, esteiras, fios e cabos para choques elétricos, capacetes eletrificados, laboratórios, profissionais, rações, vacinas animais e um império comercial que vai da procriação à entrega do animal.

As cobaias sentem o que nós, humanos, sentimos. Caso não sentissem, como justificariam experimentos com alguma utilidade a humanos?

Por isso, as experiências induzem nelas dor, angústia, ansiedade, desespero, incontáveis perturbações psicológicas, zumbidos, desorientação, sono, insônia, sede, fome, vômitos, anemia, febre, hipertensão arterial, arritmia cardíaca, diarréias, paralisias, convulsões, sangramento digestivo e morte.

São experimentos como os que pingam tinta de caneta, corante, cosméticos, batom, cera para assoalho, alvejantes, xampus e produtos de limpeza nos olhos de coelhos. Ou as que os obrigam a ingerir papel, sem parar. Ou choques elétricos nas patas de cachorrinhos que não podem fugir. Ou doses letais de radiação química e gases neurotóxicos em macacos. Ou a ingesta, por cães, de cápsulas de nitroglicerina. Ou choques em peixes. Ou a abertura da caixa craniana de macacos vivos. Ou dores em pôneis...

Por tudo isso e muito mais, naquela noite, as cobaias marcaram reunião de emergência. A gaiola de uma arara recém-chegada, envergonhada pelas quatro outras cores adquiridas já nas agulhadas do primeiro experimento, recebeu a todos. Estufado, o local não cabia mais um hamster.

- Deixa disso, arara! Olha para mim, um legítimo rato pelado, carregando esse implante de cabelo...

- E eu não estou mais bonita que você – tentou ajudar a lebre – piscando um olho azul e outro vermelho...

A anfitriã relaxou, seu intestino funcionou, e a reunião pôde começar.

O macaco, circunspecto, explicou o ponto de pauta:

- É daqui para o cemitério! Não há como escapar.

Um lamento uníssono percorreu o recinto. Ele continuou:

- Todas as rotas de fuga foram testadas. Quem tentou, falhou. Não podemos persistir. Já perdemos companheiros demais.

- Não há mais nenhuma cobaia?

O sarcasmo foi recebido com total indignação.

- O que fazemos? – suplicou a porquinha sem o útero, com três mamas ainda intactas, e sem os dentes de cima.

- Se não há como sair, vamos reduzir o número dos que podem entrar.

- Sensato – rosnou um cão fluorescente.

E, em meio a um clima de invejável solidariedade, para com cobaias que jamais sonhavam entrar naquele local, foi que o grupo resolveu não mais colaborar.

Ao raiar o sol, no primeiro choque matinal, o cão começou a miar. Confuso, o experimentador humano deixou-o e foi colocar máscaras de gases tóxicos nas narinas de coelhinhos recém-nascidos. Mas, os ratos haviam roído o tubo que acessava o compressor. Por isso, os coelhinhos sorriam, ao invés de, como era esperado, guincharem, babarem e debaterem-se. Não crendo no que via, ele tentou checar uma última experiência: provocar parada cardíaca com 2 mililitros de adrenalina em macaco Rhesus. Mas, a água destilada que, durante a noite, sorrateiramente, substituiu a adrenalina do frasco, permitiu que o futuro moribundo abrisse os braços e, num terno abraço, como um igual, acalentasse o pesquisador.

Foi muito!

Estarrecido, com os olhos esbugalhados; as mãos tateando o ar, em puro desespero, o experimentador saiu, trôpego, balbuciando frases desconexas e, na ânsia de se ver livre daquele verdadeiro manicômio em que tinha se transformado seu pacato e ordeiro laboratório, esqueceu a porta aberta e aquelas vidas condenadas puderam, para sempre, fazer aquilo para o qual haviam nascido: viver.
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Leia mais no site do Deputado Cheida
Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia da Assembléia Legislativa do Paraná. Premiado pela ONU por seus projetos ambientais, foi prefeito de Londrina, secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

domingo, 28 de agosto de 2011

Aves, Antibióticos e Superbactérias

Deu na UOL - Scientific American Brasil.

por Katherine Harmon

O governo americano está na berlinda em razão das revelações de que sabia sobre a Salmonella resistente a antibióticos presente em produtos elaborados a partir de carne de aves e que já matou pelo menos uma pessoa e infectou mais de 100 em todos os Estados Unidos. Embora a Salmonella atinja principalmente a carne de peru, a prevalência de bactérias imunes a medicamentos comuns está em ascensão em fazendas de pecuária, justamente os locais em que a maior parte dos antibióticos é utilizada nos Estados Unidos.

Mas sendo orgânicas, essas granjas podem reduzir a quantidade de bactérias resistentes aos antibióticos em uma única geração por quase cinco vezes, segundo novo estudo publicado esta semana na Environmental Health Perspectives.
“Ficamos surpresos ao ver que as diferenças foram tão significativas entre várias classes diferentes de antibióticos, mesmo na primeira leva que foi produzido após a transição para padrões orgânicos”, afirma Amy Sapkota, da University of Maryland School of Public Health, coautora do novo estudo.

A equipe estudou as bactérias Enterococcus, que são comuns em aves e também frequentemente encontradas em hospitais. Elas podem ficar imunes a tratamentos com antibióticos, o que as torna “um bom modelo para estudar o impacto das mudanças no uso de antibióticos em fazendas”, disse Sapkota.

Em humanos, pode causar infecções do trato urinário, infecção do sangue, inflamação do coração e até mesmo meningite. E quando essas bactérias se tornam resistentes aos antibióticos, as infecções são mais difíceis e às vezes impossíveis de tratar com medicamentos disponíveis.

Os avicultores não podem esperar livrar-se das bactérias por completo, mas ao reduzir a exposição das aves aos antibióticos a diminuição da quantidade de bactérias que criam resistência não apenas é possível, mas também rápida. A primeira geração de aves criadas organicamente em fazendas anteriormente convencionais teve menos incidências da superbactéria. Testes na água e nos alimentos das aves mostraram que em 10 das novas fazendas orgânicas, cerca de 17% das bactérias Enterococcus se mostraram resistentes a várias classes de antibióticos, enquanto em 10 fazendas que continuaram criando as aves por métodos convencionais, com uso de antibiótico profilático, algo em torno de 84% das bactérias havia desenvolvido resistência a múltiplas drogas.

“Essas descobertas mostram que, pelo menos no caso da Enterococcus, começamos a reverter a resistência em fazendas entre o primeiro grupo de animais que são cultivados sem antibióticos”, disse Sapkota, “o que é muito encorajador.”

Veja na UOL - Scientific American Brasil.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Perigo dos agrotóxios é mostrado em documentário.

Deu na FOLHA.COM

Vanderlei Matos da Silva morreu aos 29 anos vítima de problemas no fígado após passar três anos e meio misturando defensivos químicos para uso no cultivo de abacaxi. Almiro Rodolfo Ludtke foi parar no hospital com sintomas de intoxicação depois de um dia de trabalho na lavoura de milho. Já Adonai Soares dos Santos teve dificuldade para obter financiamento para a safra porque não queria usar agrotóxicos.

A história desses e de outros agricultores está no documentário "O veneno está na mesa", lançado pelo cineasta Silvio Tendler na última segunda-feira (25), no Rio.

Orçado em R$ 50 mil e financiado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, o filme expõe os perigos associados à utilização de agrotóxicos no Brasil.

Desde 2008, o país é o principal mercado no mundo para esses produtos. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o consumo anual chega a 5,2 litros por habitante --e, muitas vezes, os produtos são usados de forma imprópria ou abusiva, como mostram testes feitos pela agência.

O último deles, realizado em 2010, apontou problemas em 29% das amostras de alimentos examinadas. No caso do pimentão, esse percentual chegou a 80%.

"É um problema que incide na vida de todo mundo, mas parece que as pessoas optaram pela política de avestruz", diz Tendler, que já dirigiu documentários sobre o cineasta Glauber Rocha e o ex-presidente João Goulart.

Em 50 minutos, o filme costura depoimentos de agricultores, entrevistas com pesquisadores de universidades e reportagens de televisão. Traz, ainda, denúncias de lobby praticado pela indústria contra medidas restritivas da Anvisa.

"É uma realidade que o Brasil desconhece", diz a gerente de normatização e avaliação da Anvisa, Letícia Rodrigues da Silva, uma das entrevistadas pelo diretor.

No filme, ela conta que, desde 2008, a agência tenta reavaliar o registro concedido para 14 ingredientes ativos suspeitos de provocar problemas no sistema nervoso central, má formação fetal ou câncer, entre outros. Alguns já foram proibidos em países tão distintos como Estados Unidos e China. A iniciativa, porém, esbarra na resistência dos fabricantes.

Em debate realizado após o lançamento do filme, Silva listou as quatro principais estratégias usadas pelas empresas nesses casos.

A primeira, segundo ela, é desqualificar técnicos que apontem riscos nos produtos. A segunda, a contratação de pareceristas em universidades para a elaboração de estudos atestando a segurança das substâncias. A terceira é a obtenção de apoio de parlamentares para pressionar o governo. Por fim, há ainda a "judicialização" da questão, com processos que se arrastam por anos na Justiça.

Das 14 reavaliações que pretendia fazer, a Anvisa só conseguiu concluir seis, determinado restrições ao uso ou a retirada do produto do mercado. Cinco, porém, foram contestadas na Justiça.

A Folha procurou o Sindag (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola) e a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal) para comentar o assunto, mas ambos disseram que não iriam se manifestar por não conhecer o teor do documentário.

O filme estará disponível para download no site da produtora Caliban (www.caliban.com.br www.caliban.com.br) a partir da próxima semana.

lEIA MAIS NA FOLHA.COM

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Vendas de fertilizantes crescem 23,8% de janeiro a maio no Brasil

Vendas de fertilizantes crescem 23,8% de janeiro a maio no Brasil
E assim, mais e mais substâncias químicas a contaminar os solos, às águas, nossos alimentos, ect. Depois o Sistema de Saúde paga a conta, ou seja, todos nós pagamos a conta desta indústria. A isto se dá o nome de externalidade.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

“Todo dono de bar sabe que o cliente tem sempre razão”.

Ministro Wagner Rossi quer que frigoríficos brasileiros cumpram as exigências russas já que o mercado da carne representa um volume de negócios da ordem de US$ 4 bilhões.

O ministro criticou aqueles que contestam as exigências sanitárias de países compradores de produtos agropecuários brasileiros.

“Estou louco de tanto ouvir técnicos dizendo que não é possível que peçam isso ou aquilo. Como não podem? Eles podem pedir o que quiserem. Temos que atender aos nossos clientes, temos que ter um mercado maduro. Todo dono de bar sabe que o cliente tem sempre razão”, nos informa o Globo rural em matéria postada, ontem 28/06.

Uma missão brasileira estará em Moscou, na Rússia, na próxima segunda-feira (04/07), para negociar o fim do embargo às exportações de carne, imposto a 85 frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi. A suspensão foi anunciada no início do mês de junho e entrou em vigor no dia 15.

“Me reunirei nesta quarta feira (29/06) com membros da missão para falarmos sobre a viagem e as negociações. Quero que cumpram o dever de casa e apresentem o que os russos pedirem”, disse Rossi. Segundo ele, dos 210 frigoríficos nacionais habilitados a exportar para a Rússia antes do início dos embargos, 140 estarão na lista que será entregue pelos representantes do governo brasileiro, na próxima semana, como cumpridores de todas as exigências impostas pelos russos. “Os demais [frigoríficos] terão de se adequar”, disse.

Com essa crítica o Ministro da Agricultura e Pecuária vai à Rússia negociar fim do embargo à carne.

Espera-se que tome todas às providências necessárias para uma total reformulação setor responsável por estas questões dentro da pasta que dirige. Que entenda que não só o mercado externo deve ser visto com os devidos cuidados e cumprimento de responsabilidades como, também, o mercado interno, para que a carne que é consumida por nós brasileiros consiga chegar em nossa mesa com garantias sanitárias de inocuidade biológica e química..

Neste sentido o Programa Nacional de Monitoramento de Resíduos deve ser revisto e atualizado, assim como o departamento do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA que é o responsável pelas Drogas Veterinárias deve sofrer uma reformulação total de pessoal e de conceitos. Conceitos estes que devem ser norteados pela técnica e ciência e não por outros interesses.

As drogas veterinárias possuem avaliação feita somente pelo MAPA deixando de lado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária que deveria ter participação expressiva na avaliação destas substâncias químicas, já que muitas delas podem trazer sérias conseqüências a saúde humana e ambiental, como os são os antibióticos, os produtos utilizados para o controle de ectoparasitas e endoparasitas.

O pensamento do setor continua o mesmo desde a década de 70,embasado em conceitos técnicos daquela época, sendo assim, não é possível conviver mais com coisas passadas e retrógradas.

O mundo que compra do Brasil, já avançou o suficiente para analisar e tomar providências imediatas – como no caso em questão – quando a presença de resíduos de drogas veterinárias ou de venenos definem os rumos da comercialização. Não adiantará nada ficar tentando acusar de os paises compradores de utilizarem de argumentos sanitários com "outros interesses", pois se aqui as regras técnico-científicas fossem cumpridas, não haveriam choradeiras.

Como já citei em postagem no início deste mês, de nada vai adiantar continuar “tapando o sol com peneira”. O esforço deve conjunto entre os entes governamentais que possuem responsabilidade na questão, os empresários do setor que devem, também, entender, como diz o Ministro, quem compra define as regras e assim buscar investimentos capazes de colocar nossa indústria em patamares competitivos onde a seguraça alimentar seja a tônica dos negócios.

É assim que deve ser.

Lamentos por não cumprimento de obrigações é coisa de criancinha ou de quem acredita que sempre a impunidade garantirá sua falta de responsabilidade.


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terça-feira, 21 de junho de 2011

AGROECOLOGIA DEMANDA MUDANÇAS DE PENSAMENTOS

O título acima consta de um documento elaborado pela EMATER do Estado do Paraná, que versa de forma objetiva sobre as questões relacionadas a produção agroecológica. Senão vejamos abaixo:

1. A agroecologia demanda mudanças de pensamentos, comportamentos e atitudes, exigindo acompanhamento sistemático, periódico e apoio público.

2. O desafio desta transição exige parcerias, conhecimentos e seguança [...].

Segundo EMATER/SEAB-DERAL, 2008 o Estado do Paraná é um dos principais produtores de orgânicos do Brasil.
O número de propriedades neste sistema é de 4.751, com produção certificada de 124.000 toneladas em aproximadamente 12.000 hectares.

A agricultura orgânica é de base familiar, com área média por produtor de 2,4 hectares, gerando mais de 24.000 empregos dirretos no campo e 50.000 indiretos.

domingo, 19 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

EXPOSIÇÃO AO BISFENOL A É SUBESTIMADA

De VEJA ON LINE

Pesquisa mostrou que a substância presente no plástico se acumula mais rapidamente no corpo do que se pensava anteriormente.

A exposição de seres humanos ao bisfenol A (BPA), uma substância tóxica presente no plástico, pode ter sido subestimada por estudos científicos anteriores, sugere uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos. O químico encontrado em produtos de plástico, como vasilhas e mamadeiras, preocupa os médicos devido aos riscos de causar câncer de mama, problemas cardíacos, além de danos aos fetos e distúrbios endócrinos em crianças pequenas.

Para o estudo, os pesquisadores expuseram um grupo de camundongos a uma dieta diária e suplementada com BPA e compararam com outro grupo que teve uma única exposição à substância. Eles encontraram uma absorção aumentada e acumulação de BPA no sangue dos animais.

O estudo foi publicado na revista científica Environmental Health Perspectives. Esta é a primeira pesquisa a examinar as concentrações de BPA em modelos animais depois da exposição durante uma dieta regular e diária - o que, segundo os pesquisadores, é o melhor método para se aproximar da exposição crônica e contínua como a que ocorre com os seres humanos. Nos levantamentos anteriores, os ratos eram expostos uma única vez à substância.

No texto, os cientistas pontuam que mais de 90% das pessoas nos Estados Unidos possuem concentrações de BPA no corpo. "Nós acreditamos que estes estudos realizados em ratos em que a exposição ao BPA é através da dieta é uma representação mais precisa do que acontece com o BPA no corpo humano", disse a pesquisadora Cheryl Rosenfeld. Segundo ela, mais estudos são necessários para saber o mecanismo de concentração, absorção e distribuição do BPA na corrente sanguínea.


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

“Semana Mundial do Meio Ambiente e Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil” Contaminação de Crianças por Agrotóxicos e Criança no Lixo, Nunca Mais.

O Ministério Público do Estado do Paraná, por intermédio dos Centros de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente e da Criança e Adolescente e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional e o Ministério Público do Trabalho promovem no dia 10 de junho de 2011 das 09h às 17h, o seminário “Semana Mundial do Meio Ambiente e Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil” – Contaminação de Crianças por Agrotóxicos e Criança no Lixo, Nunca Mais.

O evento tem como objetivo discutir os impactos dos agrotóxicos na saúde de crianças e adolescentes e retirar crianças e adolescentes dos lixões.

Contará com a parceria do Ministério Público do Trabalho; Secretaria de Estado da Saúde; Fórum de Erradicação e Prevenção do Trabalho Infantil do Paraná; Fórum Lixo e Cidadania do Paraná e Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – Comissão Paraná e apoio da Subprocuradoria Administrativa - COE - Coordenação Executiva/ AGGSA - Assessoria de Governança em Gestão Socioambiental do Ministério Público do PR; Secretarias de Estado integrantes do Fórum de Erradicação e Prevenção do Trabalho Infantil; Fórum contra os Agrotóxicos e Controle do Tabaco.

O referido evento terá um total de 06 horas contemplado por meio de palestras e debates com participação presencial e transmitido ao vivo pela internet (webcast), a realizar-se no Auditório Ary Florêncio Guimarães, na sede do MPPR, localizada na Rua Marechal Hermes, 751, Centro Cívico, Curitiba/PR.

PÚBLICO ALVO: Procuradores da República, Procuradores, promotores, servidores e estagiários do MPPR. Agentes governamentais, promotores de justiça, procuradores do trabalho, conselheiros tutelares, conselheiros de direito, educadores da rede de ensino público, técnicos do meio ambiente, trabalho, assistência social e saúde, estudantes, profissionais liberais, organizações não governamentais.

CERTIFICADOS: serão entregues, ao final do evento, para àqueles que participarem presencialmente. Para os membros, servidores e estagiários do MPPR que assistirem por webcast e desejarem receber certificado, deverão responder a questionamentos disponibilizados na página do Centro de Estudos a partir do dia 13 de junho de 2011: www.ceaf.mp.pr.gov.br/index.php.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

RUSSIA PROIBE CARNE PRODUZIDA NO BRASIL

Como sempre o Ministério da Agricultura e Pecuária - MAPA costuma "tapar o sol com peneira". Paga-se o preço pelo não controle no comércio e uso das drogas veterinárias, praguicidas e outros contaminantes, na produção bovina, suína e de frangos.

Acreditam que a impunidade que impera nestas linhas abaixo do equador, também acontecerá lá fora acreditando-se que com meia duzia de conversa consegue-se levar todo mundo no "bico". Ledo engano, de tempos em tempos, lá estão de novo o MAPA e o Itamarati, tentando consertar os estragos que ficam na imagem e no bolso do Brasil, fruto da irresponsabilidade dos "espertos" e de seus técnicos, também "espertinhos".

Parece que é dificil entender que drogas veterinárias, praguicidas, etc, deixam resíduos em alimentos, sejam verduras ou carnes e, que lá fora os governos, diferente do daqui, estão sim preocupados com a saúde de sua população. Sendo assim, mais carne está sendo embargada, leiam a matéria publicada no Globo Rural, ontem:

A Rússia anunciou nesta quinta-feira (02/06) que a partir do próximo dia 15 de junho estarão proibidas as importações de carne e produtos de carnes de 89 empresas de três estados brasileiros: Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná.

"Com esta decisão, expressamos nossa desconfiança com relação aos serviços veterinários destes estados, que não puderam garantir o cumprimento dos requisitos", afirmou Alexéi Alexéyenko, porta-voz da Inspeção Sanitária Agrícola da Rússia (Isar).

A inspeção realizada este ano no Brasil revelou várias deficiências no funcionamento dos serviços veterinários do país sul-americano, apontou Alexéyenko em declarações à agência "Interfax".

Da forma como está estabelecido o programa de controle veterinário vigente no Brasil, são poucas as amostras de carne submetidas a testes, pelo que não se pode garantir a qualidade de toda a produção procedente do Brasil, ressaltou.

Além disso, as empresas sancionadas não realizaram nos últimos três anos comprovações da presença de mercúrio, praguicidas e dioxinas em sua produção, explicou o representante da Isar. Alexéyenko acrescentou que mais de 260 carregamentos de carne desses produtores continham parasitas e bactérias de diferentes tipos.
Abipecs

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, disse nesta quinta-feira (02/06) que confia em uma solução favorável em relação ao embargo russo a 85 frigoríficos brasileiros. "Espero que o Ministério (da Agricultura), com o qual já entrei em contato, resolva essa situação até lá", disse o executivo, ressaltando que o problema não prejudica somente o setor de suínos, que tem na Rússia o principal comprador da proteína brasileira, mas também o de aves e o de bovinos.

Atualmente, o Brasil é um dos principais provedores de carne à Rússia, com 35% das importações de carne de porco, 45% da bovina e 19% da carne de aves, segundo os dados do Instituto de Marketing Agrícola de Rússia. Antes de a proibição ser ditada, havia 236 empresas brasileiras exportando carne à Rússia.


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segunda-feira, 30 de maio de 2011

GAZETA DO POVO E OS ALIMENTOS ORGÂNICOS

Com o título: OS REBELDES DO PRATO a Gazeta do Povo, de Curitiba, faz reportagem sobre os alimentos orgânicos. Demonstra a importância dos orgânicos, bem como divulga os locais onde as feiras de alimentos orgânicos acontece em Curitiba. Leia abaixo o que foi publicado:

Os amigos da recepcionista Joyce Sponchiado, 70 anos, nem imaginam que convidá-la para almoçar em casa pode acabar em flagrante. Consumidora de alimentos orgânicos desde que morava em Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, Joyce garante que é capaz de abrir uma geladeira e identificar a presença de alimentos que foram produzidos com a ajuda de agrotóxicos. “Esse aqui não. Vamos chegar aos 130 anos”, adverte os amigos, enquanto tira de sua frente um maço de rabanetes. “Já convenci a Almira, a Olívia, a Idê e o seu Paulinho. E costumo checar se estão usando mesmo.” A recepcionista puxa o assunto sempre que pode e chega a levar hortaliças orgânicas para incentivar colegas de trabalho.

Joyce faz parte do grupo de adeptos da cultura dos alimentos orgânicos em Curitiba. A rede é heterogênea e engloba produtores, cooperativas, consumidores, organizações não governamentais e iniciativa pública. Uma de suas particularidades é a ausência de filtros econômicos e culturais. Embora o consumo orgânico seja uma prática dos mais informados, não raro um pequeno agricultor é parceiro de debates de um catedrático.

Ainda que não necessariamente articulados e agindo de maneiras diferentes, os curitibanos pró-orgânicos defendem a mesma causa. “Não é só a comida que está em jogo. Tem toda a preo­­cupação com o meio ambiente e com novos hábitos. Isso sem contar as relações pessoais cultivadas a partir da conversa direta com o produtor”, defende Gabriel Gallarza, 32 anos, consumidor de orgânicos há três.

Eles ainda são poucos. Se­­gundo a Secretaria Municipal de Abastecimento, em 2008, 20 mil pessoas circulavam pelas feiras de orgânicos de Curitiba semanalmente. Mas o grupo cresce. De lá para cá, as vendas no primeiro trimestre aumentaram entre 11% e 15% ao ano. No Pa­­raná, a demanda por esses alimentos cresce entre 30% e 50% anualmente, de acordo com o Instituto Paranaense de As­­sistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

O aumento da procura pelos orgânicos é uma boa notícia para Moacir Darolt, engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Darolt faz o tipo militante em tempo integral. Nem o título de doutor em Meio Ambiente pela Univer­sidade Federal do Paraná (UFPR), nem a presença certa como palestrante em congressos do ramo lhe roubam o prazer de panfletar e propagar os ganhos da cultura orgânica. É autor do livro Agricultura orgânica: inventando o futuro, está escrevendo outro sobre formas de aproximação entre consumidores e produtores, produz guias e cartilhas educativas e ainda cultiva seus próprios orgânicos em uma pequena propriedade.

“Para que o movimento cresça, é importante atingir diferentes setores da sociedade, como a escola e a universidade”, afirma Darolt. Segundo o pesquisador, o trabalho não se limita a falar sobre os benefícios da agricultura orgânica para a saúde e para o meio ambiente: o desafio é educar para o consumo. Isso significa diversificar a cultura alimentar, resgatar a noção de épocas dos alimentos e até estimular a produção de hortas em casa, por exemplo. “As pessoas estão acostumadas a comer as mesmas coisas o ano inteiro. Há uma redução na diversidade na cultura alimentar. E é uma redução para culturas com maior nível de resíduos de agrotóxicos.”

Orgânicos serão um nicho de mercado

Para o professor de Economia Rural da UFPR Eugenio Stefa­nelo, a produção de orgânicos não vai substituir a agricultura convencional e será sempre um nicho de mercado, podendo chegar ao patamar máximo de 10% da produção total. A menor produtividade e a dificuldade de produção em grande escala impede que o sistema seja adotado por médios e grandes produtores. “Quem vai continuar é o pequeno produtor, com disponibilidade de mão de obra familiar e em função da pequena produção, que tem que ter um plus de preço”, explica.

Para atingir a produtividade da agricultura convencional no sistema orgânico, se­­riam necessárias áreas maiores, colocando biomas nativos em risco. Stefanelo lembra também que os dois sistemas apresentam problemas quando mal- aplicados. “A agricultura orgânica mal-feita contamina o lençol freático com coliforme fecal. A convencional, contamina com nitrato”, explica. “Temos que tirar da cabeça das pessoas o estereótipo de que a orgânica é boa e a convencional é ruim. As duas dependem das práticas que usam”, diz.

Sempre aos sábados no Passeio Público

O Passeio Público é o principal ponto de encontro da rede da cultura orgânica em Curitiba. Aos sábados pela manhã, entre mexericas e tomates, um estande atrai frequentadores de velha e nova data. No espaço, a Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (Acopa) divulga práticas de alimentação saudável e de comércio solidário. Uma das voluntárias é Gessi Zampieri, encarregada dos passeios e cursos promovidos pela associação.

Enquanto entrega cartilhas, vende camisetas e agenda os passeios promovidos pela Acopa pelas rotas de produção, Gessi atende conhecidos que param na barraca. “Formamos uma família que se encontra todo sábado e toma um chimarrão”, conta Gessi, sobre uma conversa que não acontece nos mercados e feiras convencionais.

Além de eliminar intermediários que encarecem os produtos orgânicos, a aproximação entre os consumidores e produtores permite, por exemplo, que o agricultor José Marfil, produtor de orgânicos desde 1994, explique aos clientes o motivo de os preços dos tomates estarem altos entre abril e novembro – a hortaliça está no período de entressafra. Como quem produz também comercializa, a procedência do alimento é garantida.

Outra presença frequente na barraca da Acopa é Ralph Miller, um dos fundadores da entidade. Sobre como conheceu a cultura dos alimentos orgânicos, Miller dá uma resposta de peso histórico: “Quando eu tinha a sua idade, só tinha orgânico”, afirma o engenheiro aposentado, nascido em 1921. Ele diz ter visto a introdução dos insumos químicos na agricultura. “Foi a época da célebre ‘revolução verde’. Hoje, vemos que a coisa não é o que se pensava”, relembra Miller.

Para ler mais na Gazeta do Povo e no site da Associação dos Consumidores de Prgânicos do Paraná.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

NORTE DA BAHIA PRODUZ ORGÂNICOS EM PERÍMETRO IRRIGADO

DO GLOBO RURAL

Cultivo de orgânicos ganha destaque em área irrigada no norte da Bahia
Agricultores do Perímetro Irrigado de Pedra Branca produzem hortaliças, goiaba, mamão e amendoim utilizando técnicas que dispensam o uso de agrotóxicos por Globo Rural On-line

A procura por alimentos orgânicos é uma demanda crescente no Brasil e no mundo. Ainda assim, a escala de produção orgânica é insuficiente para atender a necessidade do público consumidor. Dentro dessa janela de mercado, os produtores podem vislumbrar mais uma alternativa que pode associar qualidade de vida, alimentação saudável e preservação dos recursos naturais.

No Perímetro Irrigado Pedra Branca, integrante do Sistema Itaparica, localizado nos municípios de Curaçá e Abaré, região norte da Bahia, produtores levam a sério esse tema e produzem goiaba, mamão, amendoim e uma grande variedade de hortaliças adotando práticas orgânicas.

“Desde 2008, intensificamos o trabalho de conversão para a agricultura orgânica no Perímetro Irrigado Pedra Branca, com acompanhamento e orientações da equipe de Assistência Técnica e Extensão Rural”, explica a superintendente regional da Codevasf em Juazeiro (BA), Ana Angélica Almeida Lima.

Alguns agricultores do Perímetro Irrigado Pedra Branca já aderiram à onda orgânica. Além disso, duas hortas orgânicas foram implantadas, uma delas na escola municipal Antonio Ribeiro dos Santos, integrando uma proposta pedagógica, e a outra, administrada pela Associação Florimel. Essa atividade, além de fomentar uma agricultura sustentável, também promove a integração da comunidade.

Exemplo disso é o agricultor João Conceição dos Santos que toca seus plantios de goiaba e mamão orgânicos e ainda ajuda a escola onde trabalha como vigia noturno a tocar a horta pedagógica. “Quando a gente chega ao conhecimento da nocividade da agricultura agroquímica não consegue mais dormir em paz. Mas, devido à ajuda de parceiros, tive a oportunidade de participar de alguns cursos promovidos pela Codevasf, Ater e Pólo Sindical sobre agricultura orgânica e isso fez com que eu visse que existia alternativa para produção de alimentos saudáveis. Agora durmo mais tranquilo por estar produzindo alimentos que não prejudicam a minha saúde e nem das pessoas que compram minhas frutas”, relata o agricultor.

LEIA MAIS NO GLOBO RURAL

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lei institui merenda escolar orgânica no Paraná

Publicado no diário Oficial do Estado do Paraná em 06 de janeiro de 2011 a Lei 16751, de 29 de Dezembro de 2010, institui, no âmbito do sistema estadual de ensino fundamental e médio, a merenda escolar orgânica.

Preocupados com as questões de saúde de nossas crianças os legisladores que tomaram a iniciativa de construirem esta lei, promovem a possibilidade de que se oferte uma alimentação isenta de resdíduos de agrotóxicos para nossas crianças.

PARABÉNS!!!

Como exemplo, do que a implementação desta lei poderá promover, lembro que a exposição aos organofosforados e seus resíduos pode causar défict de atenção e outros probelmas relacionados ao Sistema Nervoso, em especial, em crianças, confome estudos recentes publicados nos Estados Unidos e aqui postados.

Vale elembrar que a metodologia para o estabelecimento dos Limites Máximos de Residuos (LMRs) nos alimentos, feitos pela ANVISA, levam em consideração uma pessoa adulta com peso de 60 quilos, sendo assim, as crianças sempre foram e são, ainda, o maior grupo populacional sob riscos decorrentes da ingestão de alimentos contaminados.

Essa grande iniciativa do legislativo do Estado do Paraná poderá trazer "bons ventos", também, ao desenvolvimento da agroecologia em nosso estado, já aumentará a demanda por este tipo de alimento.

Espera-se agora que a Secretaria de Estado da Educação do Paraná, implemente tal Lei com a urgência que a situação requer face ao alto consumo de veneno no país e no Paraná.

Abaixo transcrevo na íntegra a Legislação que pode ser conseguida diretamente no site da Casa Civil do Estado do Paraná.

Assembleia Legislativa do Estado do Paraná Decretou e nos termos do § 5º do Artigo 71 da Constituição Estadual, Promulgo a seguinte lei:

Art. 1º. Institui no âmbito do sistema estadual de ensino fundamental e médio a merenda escolar orgânica.

Parágrafo único Entende-se por merenda escolar orgânica a merenda escolar certificada, conforme legislação federal pertinente. Assim, entre outras especificações da legislação, os alimentos fornecidos na merenda escolar não poderão conter agrotóxicos em toda a cadeia produtiva de todos os seus itens e competentes.

Art. 2º. A implantação desta lei será feita de modo gradativo, de acordo com as condições e cronogramas elaborados pela Secretária de Estado da Educação - SEED, até que 100% (cem por cento) da rede de ensino público do Estado do Paraná garanta a seus alunos o direito à merenda escolar orgânica.

Art. 3º. Além dos alimentos orgânicos, a merenda escolar oferecida aos alunos deverá conter, obrigatóriamente, alimentos funcionais.

Parágrafo único Dentre os alimentos funcionais, que se refere o caput deste artigo, estão relacionados abacate, alho,cebola,cenoura,inhame,batata doce,fruta cítricas,chá verde,couves,brócolis,repolho,nabo,aveia,trigo,arroz integral, leites fermentados, tomate vermelho, amora, goiaba, uva vermelha, sucos, soja e derivados.

Art. 4º. O Poder Executivo preverá na legislação orçamentária as condições e as escalas de aplicação da presente lei.

Art. 5º. O Poder Executivo regulamentará esta lei em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da data de sua publicação.

Art. 6º. Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO DO GOVERNO EM CURITIBA, em 29 de dezembro de 2010.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

BISFENOL A - RISCOS À SAÚDE

Do Blog: O TAO DO CONSUMO

Foi-me solicitado uma revisão de literatura sobre sobre a substância química tóxica denominada BISFENOL A. Esta substância tóxica é muito utilizada nos plásticos que estão presentes em mamadeiras para recém nascidos, em revestimentos de latas de alimentos e em outros de uso corriqueiro dentro de casa.

Dentre vários artigos científicos que encontrei e discussões sobre os riscos do BISFENOL A,em especial, como capaz de produzir disrupção endócrina podendo afetar fetos humanos e não humanos, câncer de mama, de próstata, diabetes, dentre outros como aqueles relacionados a espermatogenese com produção de espermatozóides defeituosos (sem cabeça ou sem cauda, com duas cabeças, sem motilidade), bem como uma redução considerável na fertilidade masculina, o blog o TAO DO CONSUMO, postou este mês matéria bastante esclarecedora sobre a questão, que transcrevo abaixo:

Bisfenol A em latas de alimentos e bebidas – um temporal está se formando


Posted by fabiana in Bisfenol A e Indústria Alimentícia


Será que a recente onda de preocupação do mercado de mamadeiras em relação ao bisfenol-A (BPA) está prestes a causar um caos no setor de bebidas e alimentos enlatados?

Dois recentes fatos sugerem que essa possibilidade é alta. O primeiro é a proposta da Suécia, no mês passado, que obriga as empresas de embalagens e produtos alimentares a explicar como pretendem reduzir o uso do BPA no revestimento interno de latas de bebidas e de alimentos. O segundo, na semana passada, é parte de uma campanha iniciada por grupos de acionistas da Coca-Cola que exige uma estratégia da empresa em relação ao temor de consumidores sobre a segurança do químico.

Sem dúvida, a indústria de embalagens plásticas está muito preocupada com a crescente ansiedade do consumidor quanto ao BPA. Mas qual é a razão para tudo isso?

Muitas agências governamentais, em diferentes países, declararam que o uso do bisfenol em contato com alimentos nos níveis atuais é seguro. Então, fim da discussão, certo? Errado.

Hoje em dia, existem vozes suficientes na comunidade científica que não concordam com essa premissa e acreditam que o BPA apresenta riscos. E essas vozes são suficientes para alimentar as dúvidas dos consumidores.

A decisão da Comissão Europeia, no ano passado, de ignorar opiniões positivas de cientistas e proibir mamadeiras de policarbonato que contenham o bisfenol-A na União Europeia abriu escancaradamente as portas para uma extensão da proibição da substância em outros tipos de embalagens.

O temor foi expresso repetidamente pela indústria de enlatados e associações do ramo de plásticos em uma declaração realizada durante uma consulta pública, organizada pela agência britânica Food and Standards Safety. A frustração com a iniciativa de Bruxelas era compreensível, assim como a surpresa com os consumidores que seguem questionando as declarações de autoridades que sancionam o uso do BPA.

No entanto, se um braço da União Europeia parece não estar nem um pouco convencido com a opinião de seus especialistas, não é normal que o público também tenha dúvidas?

Impulso Perigoso

Então como ficam os produtores de latas e a indústria de revestimento plástico?

Eles podem pensar que propostas que exigem a redução do uso do revestimento interno de latas com bisfenol pode estar confinada à Suécia – um país periférico na Europa. Seria uma atitude perigosa, considerando que a primeira proibição europeia da substância em mamadeiras ocorreu na Dinamarca, outro país escandinavo – e vejam só o que aconteceu depois disso.

A proposta dos acionistas da Coca-Cola não foi aprovada, porém uma quantidade maior de acionistas apoiou a iniciativa neste ano. Os organizadores da Campanha já se comprometeram a repetir a proposta no ano que vem. Um estudo recente da Deloitte revelou que o temor em relação ao BPA entre consumidores vem aumentando, e não diminuindo. A preocupação com o BPA – como demonstrado pelos acionistas do gigante dos refrigerantes – está aqui para ficar.

Ondas como essa são perigosas. Se as lições com o BPA em mamadeiras de policarbonato nos ensinaram alguma coisa, é que quando a ansiedade entre consumidores se espalha e a sua confiança vai por água abaixo, a indústria tem que ouvir, e não importa o que agências regulatórias em Bruxelas, Washington ou Sidney dizem.

A Associação da indústria de embalagens de metal nos Estados Unidos (Nampa) admitiu que “a corrida já começou” entre os principais fabricantes na busca de um substituto para o BPA, mas alerta que uma substância similar e segura ainda está longe de ser comercializada para o volume necessário atualmente.

Essa declaração demontra que, aparentemente, eles aceitaram que os dias do BPA estão contados. A pergunta não é “se”, mas “quando” o revestimento interno de latas não conterá mais este elemento químico.

Parece que o único fator a considerar, a partir de agora, é se os principais fabricantes de embalagens de plástico e metal estão preparados para essa onda de mudança que parece estar se aproximando e quando ela irá tomar conta do mercado como um todo. Será que eles surfarão a onda ou serão engolidos por ela?

Texto originalmente publicado no site Food Production Daily no dia 03 de maio de 2011

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terça-feira, 10 de maio de 2011

Universidade Federal do Paraná pesquisa mercado de agrotóxicos

Trabalho da UFPR mostra que produção e importação vêm aumentando a passos largos e que o país desconhece o setor

Publicado na Gazeta do Povo em 11/05/2010 | José Rocher

Um observatório do mercado internacional de agrotóxicos foi criado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para revelar em detalhes as relações do setor e orientar a política do Brasil enquanto maior consumidor do mundo desses produtos. Os primeiros dados indicam forte crescimento na produção e na importação e descontrole do país sobre esse fenômeno, que é economicamente positivo, mas que preocupa pelo impacto ambiental e pela relação com a saúde pública mundial.

“Muitos produtos entram no país registrados na categoria de ‘outros’. A regularização está ocorrendo agora e vai mostrar dados surpreendentes”, afirma o professor Victor Pelaez, líder do grupo de dez pesquisadores que trabalha no programa, do Departamento de Economia. Sem códigos específicos, não é possível medir a entrada de cada formulado, aponta. O estudo recorreu ao banco de dados de comércio das Nações Unidas, o Comtrade, para aferir estatísticas gerais.

O trabalho foi encomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde – um dos três controladores dos agrotóxicos no país, ao lado dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente. A Anvisa alega sofrer forte pressão para liberação de novos produtos e contra a revisão de 14 registros. Com os primeiros resultados da pesquisa em mãos, o diretor da agência, José Álvares, pediu maior comprometimento da indústria.

O Brasil ampliou a produção e está entre os cinco maiores importadores de agrotóxicos. Gasta cerca de US$ 3,5 bilhão por ano no exterior só com produtos técnicos e formulados. Esse valor vem se multiplicando nesta década. Dependendo do critério de análise, a participação brasileira vai de 5% a 16% do mercado internacional. Esses índices abrangem a produção nacional, que também cresce a passos largos, com investimentos milionários das multinacionais em fábricas e pesquisas dentro do país.

As indústrias preferem discutir o assunto através das organizações que representam o setor. Os números não diferem muito dos apresentados pela UFPR. Contratada pela Associação Nacional de Defesa Vegetal, a Andef, a consultoria alemã Kleffmann Group concluiu ano passado que o país gastou US$ 7,1 bilhões na compra de agrotóxicos em 2008 – US$ 600 milhões a mais que os Estados Unidos, primeiro colocado até 2007. Para a Andef, é preciso relativizar a liderança. Se for considerado o consumo por hectare, o Brasil ainda usa menos agrotóxicos que o Japão, onde os produtores gastam até dez vezes mais com defensivos agrícolas em áreas de tamanhos similares.

O Sindicato Nacional da Indústria para a Defesa Agrícola (Sindag) informa que, em 2009, o gasto com defensivos caiu 7% no Brasil, para US$ 6,6 bilhões. No entanto, em volume, houve aumento de 7,6%, de 986 mil para 1,06 milhão de toneladas.
Os técnicos das indústrias argumentam que, por ser um país tropical, com uma diversidade agroclimática bem maior que a dos outros importantes produtores agrícolas, o Brasil precisa de mais agrotóxicos para controlar insetos, fungos e ervas daninhas. “O aumento da produtividade verificado no país só vem sendo alcançado graças às novas tecnologias, que incluem o uso de defensivos mais eficientes”, disse um agrônomo que atua no Paraná e no Cerrado, e preferiu não se identificar. Na safra passada, o crescimento foi de 1,6 quilos de agrotóxicos por hectare, para 22,3 kg/ha.

Os estudos da UFPR devem se tornar permanentes a partir de agora. Uma das questões que os pesquisadores vão tentar desvendar é o impacto do mercado de registros no setor. “Quando uma empresa consegue registrar um produto no Brasil, suas ações sobem”, frisa Pelaez. Ele afirma que esse estudo é essencial para que o país avalie sua atuação na liberação de novos produtos. A pressa das indústrias, relacionada à necessidade dos produtores de adotar as tecnologias mais eficientes disponíveis, também tem seu lado financeiro, observa.

Leia mais na Gazeta do Povo

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Deputados querem o fim da rotulagem dos transgênicos.

Da AS-PTA


Projeto que acaba com rotulagem de transgênicos pode ir a votação na Câmara

O deputado Lincoln Portela (PR-MG) apresentou no último dia 4 requerimento para que entre na ordem do dia o projeto de lei que propõe fim da rotulagem dos produtos transgênicos. A proposta é de autoria do deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP/RS).

O que diz o PL 4148/08?

A proposta elimina a informação no rótulo se não for detectável a presença do transgênico no produto final - o que exclui a maioria dos alimentos (como óleos, bolachas, margarinas, enlatados, papinhas de bebê etc.); (2) não obriga a rotulagem dos alimentos de origem animal alimentados com ração transgênica; (3) exclui o símbolo T que hoje facilita a identificação da origem transgênica do alimento (como tem se observado nos óleos de soja); e (4) não obriga a informação quanto à espécie doadora do gene.

Resumo dos principais argumentos contra o PL:

1) Fere o direito à escolha e à informação assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, nos artigos 6º, II e III e 31 e desrespeita a vontade dos cidadãos que já declararam que querem saber se um alimento contém ou não ingrediente transgênico (74% da população - IBOPE, 2001; 71% - IBOPE, 2002; 74% - IBOPE, 2003; e 70,6% - ISER, 2005).

Veja mais na AS-PTA


2) Representa um retrocesso ao direito garantido pelo Decreto Presidencial 4.680/03 (Decreto de Rotulagem de Transgênicos) que impõe a rastreabilidade da cadeia de produção como meio de garantir a informação e a qualidade do produto (vale lembrar que a identificação da transgenia já é feita para a cobrança de royalties).

3) Impedir a informação da característica não geneticamente modificada do produto é um desrespeito ao direito dos consumidores, dos agricultores e das empresas alimentícias que optam por produzir alimentos isentos de ingredientes transgênicos e tem como única finalidade favorecer a produção de transgênicos.

4) A rotulagem de transgênicos é medida de saúde pública relevante ao permitir o monitoramento pós-introdução no mercado e pesquisas sobre os impactos na saúde.

5) Pode impactar fortemente as exportações, na medida em que é grande a rejeição às espécies transgênicas em vários países que importam alimentos do Brasil.

6) Descumpre compromissos internacionais assumidos no âmbito do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, Acordo Internacional ratificado por 150 países, do qual o Brasil é signatário. De acordo com o Protocolo, os países membros devem assegurar a identificação de organismos vivos modificados nas importações/exportações, destinados à alimentação humana e animal (artigo 18. 2. a).

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde coletiva e os Agrotóxicos

A ABRASCO, reunida em seu V Congresso de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, vem alertar a população e as autoridades públicas responsáveis para a necessidade de medidas emergenciais:

1.Proibir a pulverização aérea de agrotóxicos, tendo em vista a grande e acelerada expansão desta forma de aplicação de venenos, especialmente em áreas de monocultivos, expondo territórios e populações cada vez maiores à contaminação com produtos tóxicos. Estas operações, de questionável e improvável controle da deriva acidental e técnica, vêm sendo realizadas a partir de legislação frágil e precariamente fiscalizada, que fere o direito constitucional ao meio ambiente sadio, e têm resultado em graves impactos sobre a saúde humana e dos ecossistemas em geral, inclusive na produção de chuva contaminada com agrotóxicos e na contaminação de aqüíferos.


2.Suspender as isenções de ICMS, PIS/PASEP, COFINS e IPI concedidas aos agrotóxicos (respectivamente, através do Convênio nº 100/97, Decreto nº 5.195/2004 e Decreto 6.006/2006), tendo em vista seu caráter de estímulo ao consumo de produtos concebidos para serem tóxicos biocidas, que se reflete certamente na colocação do Brasil como maior consumidor mundial de agrotóxicos nos últimos 3 anos; e a externalização para a sociedade dos custos impostos pelas medidas de assistência e reparação de danos, além da recuperação de compartimentos ambientais degradados e contaminados.

3.Elaborar e implementar um conjunto de Políticas Públicas que viabilizem a superação do sistema do agronegócio e a transição para o sistema da Agroecologia, inclusive no que diz respeito ao financiamento, revertendo e resgatando a enorme dívida social e ambiental induzida por políticas que, desde os anos 1970, impõem o financiamento e a compra de agrotóxicos. Tais políticas devem ser construídas em contexto participativo, a partir dos saberes acumulados nas diversificadas experiências em curso da agricultura familiar camponesa no Brasil e seus atores.

São Paulo, 20 de abril de 2011.

Veja na ABRASCO

terça-feira, 19 de abril de 2011

FEIJÃO AGROECOLÓGICO DA EMBRAPA

Do Portal da Embrapa Arroz e Feijão, divulgada dia 17 de janeiro de 2011

Reportagem de Roselene Chaves


É comum os agricultores da Região Centro-Oeste no Planalto Central considerarem o cultivo de feijão de primeira safra, ou safra das águas, como muito vulnerável ao fungo causador do mofo branco e à praga mosca branca, que transmite o vírus do mosaico dourado. Embora ambas as doenças possuam geralmente maior incidência na segunda ou terceira safra da leguminosa, elas podem ser bastante graves também nas lavouras nesta época do ano. Contudo, esse risco encontra-se sob controle no campo de estudos agroecológicos da Embrapa Arroz e Feijão.
Nesse local, o centro de pesquisa vem conduzindo há oito anos, em parcelas experimentais, avaliações acerca do cultivo orgânico de feijão sem que ocorra a infestação dessas duas doenças. Segundo a Embrapa Arroz e Feijão, trata-se de áreas cujo solo foi corrigido com calcário e rocha fosfática e que o feijoeiro vem sendo plantado na primeira safra. Após a colheita dos grãos, em meados de fevereiro/março, são semeados adubos verdes como sorgo, crotalária, mucuna e guandu. Essas espécies servem para reciclar e fixar nutrientes no solo e, no período de florescimento, são cortadas, permanecendo os restos culturais até a safra de verão seguinte (novembro), quando o feijão com inoculantes é semeado em plantio direto.

De acordo com a Embrapa Arroz e Feijão, esse sistema de cultivo orgânico não demandou até o momento a introdução de fertilizantes formulados. A produtividade é satisfatória e gira em torno de 2,4 mil quilos por hectare neste ano. Em relação à ausência de problemas com a mosca branca, acredita-se que, por ser a primeira safra e haver outras culturas de grãos hospedeiras, não há infestação nas lavouras de feijão. Já sobre o mofo branco, o não surgimento da doença é atribuído a fatores como época de plantio, condições climáticas, plantio direto e estande de plantas, que não geram condições propícias para a proliferação do fungo.

Conforme a Embrapa Arroz e Feijão, não foram diagnosticadas outras doenças nas parcelas e, fora a mosca branca, os ataques de outras pragas, apesar de causarem desfolha, foram controlados pelos próprios inimigos naturais na lavoura e não chegaram a comprometer a produtividade do feijoeiro. Quanto às plantas daninhas, o controle vem sendo realizado por meio de capinas. Pelos resultados parciais até o momento, os experimentos com feijão orgânico de primeira safra podem desmistificar várias concepções, dentre elas, a de que o plantio anual da leguminosa na mesma área acarreta prejuízos.

Os trabalhos no campo de estudos agroecológicos da Embrapa Arroz e Feijão são coordenados pelos pesquisadores Agostinho Didonet e Enderson Ferreira.
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Área de Comunicação da Embrapa Arroz e Feijão

sexta-feira, 15 de abril de 2011

AQUARELA DO BRASIL com Zé Caricoca e Donald Duck

Em meio a tantas notícias ruins que a todo momento recebemos pela midia, na conversa informal, etc, às vezes acontece que alguém te lembra que a Vida é boa e vai melhorar.

Sendo assim, para aqueles que gostam de desenho animado e, ainda, não viram AQUARELA BRASILEIRA, com Zé Carioca e Pato Donald, boa diversão e bom final de semana.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

POMAR ORGÂNICO

Quando fui entrevistado vez pelo Sandro (reporter que fez a matéria que está abaixo)na TV num manhã dos idos anos 90, lá em Londrina, ele não acreditava muito que os venenos representavam um mal silencioso que hoje todos sabemos. Passados todos esses anos, é com felicidade que vejo uma reportagem profissional, alegre, feita em propriedade de pessoas lúcidas e felizes que disponibilizam alimentos saudáveis para as pessoas.

Valeu Sandro, espero que faça outras mais e que nos brinde com programas tão bons como esse que está aqui.

domingo, 10 de abril de 2011

O Ministério da Saúde a questão das intoxiacações por agrotóxicos e afins no Brasil

Há pelo menos 20 anos que venho afirmando, bem como outros profissionais de saúde que as intoxicações por agrotóxicos e afins (agudas e crônicas) no Brasil representam um grave problema de saúde pública, ainda não adequadamente documentado, determinando conseqüências que não são devidamente enfrentadas.

Os principais sistemas de informação em saúde existentes para o registro de intoxicações por agrotóxicos e afins, que poderiam subsidiar a maior compreensão acerca da magnitude do problema no país e apontar diretrizes para o fortalecimento da vigilância em saúde, não recebem por parte do setor responsável (Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde) a devida atenção.

Em 2002, defendi minha dissertação de mestrado na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, onde através da realização de um estudo descritivo sobre a situação dos principais sistemas de informações para o registro de intoxicações por agrotóxicos e afins, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz - SINITOX e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação-SINAN, da Fundação Nacional de Saúde, avaliei os casos registrados de 1995 a 2000.

Os estudos demonstraram que para o período compreendido entre 1995 e 2000, o SINITOX registrou um total de 94.983 casos de intoxicações por agrotóxicos e afins, correspondendo a 22,81% do total de intoxicações registradas no período. Deste total, 30.278 (31,88%) intoxicações foram causadas por agrotóxicos de uso agrícola, 35.144 (37%) por domissanitários, 15.570 (16,39%) por agrotóxicos de uso doméstico e 13.991 (14,73%) por raticidas. Quanto aos óbitos, o total foi de 1.268 mortes causadas por agrotóxicos e afins, correspondendo a 51,73% do total por todas as causas no período em estudo. O agrotóxico de uso agrícola destaca-se como o agente mais incriminado, com 904 óbitos, o que corresponde a 36,88% do total de óbitos por todas as causas registradas pelo SINITOX no período. Do total de intoxicações por agrotóxicos e afins, 54,5% casos ocorreram entre indivíduos do sexo masculino. As causas determinantes das intoxicações por agrotóxicos e afins foram em primeiro lugar os acidentes, seguidos dos suicídios e causas profissionais.

No SINAN, foram registrados no período de 1996 a 2000, um total de 5.654 casos suspeitos, com 2.931 casos confirmados (51,43%). O número de óbitos foi de 227, correspondendo a uma letalidade de 7,73% no período. As intoxicações se concentraram em indivíduos do sexo masculino entre 15 e 49 anos, sendo confirmados pelo critério clínico-epidemiológico em 60% dos casos; 61,74% das intoxicações receberam atendimento hospitalar; 29,46% atendimento ambulatorial; 7,03% atendimento domiciliar e 1,77% dos casos não receberam nenhum atendimento. Os acidentes de trabalho representaram 53,5% das circunstâncias de intoxicação, seguidos pelas tentativas de suicídio (28,2%) e intoxicações acidentais com 12,9%. Dentre os 128 princípios ativos envolvidos nas intoxicações o glifosato, o paraquat e o metamidofós, foram os agentes tóxicos mais incriminados, respondendo por 26,2% do total.

Já naquela época, apontava para a necessidade da inclusão deste grave problema de saúde pública como prioridade na agenda dos órgãos gestores que compõem o Sistema Único de Saúde, nos três níveis de governo, a fim de que ações pudessem resultar numa efetiva proteção e prevenção à saúde da população.

Apesar dos apelos de vários profissionais do setor para que medidas fossem implementadas pelo Ministério da Saúde, o mesmo sempre fez “ouvidos de mercador” para esta questão, se limitando a apresentar proposituras aqui e acolá, sem que nunca assumisse de fato a responsabilidade por questão de tal magnitude, que exige a clara definição do papel de cada área do Ministério para seu o enfrentamento, a partir do fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica.

Sempre afirmou-se que a questão das intoxicações por agrotóxicos não poderia receber tratamento menor, face à sua importância e à a existência de vários estudos afirmando que estávamos e estamos imersos em uma endemia decorrente do uso e abuso dessas substâncias químicas tóxicas.

Espera-se que, com a Audiência Pública realizada na Câmara dos Deputados, pela Câmara de Seguridade Social, no dia 07 de abril, providências sejam tomadas com a seriedade que o assunto impõe.

domingo, 3 de abril de 2011

Agricultura Orgânica de Alto Valor Nutritivo

Cada vez mais fica claro para aqueles que teimam em afirmar que não é possível a produção de alimentos orgânicos, veja o vídeo abaixo:

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cooperativa de Alimentos Orgânicos em New York é mantida pelos consumidores - Prefeitura colabora.

Do site EASYCOOP

Moradores de NY se organizam em cooperativa de alimentos orgânicos
Moradores de NY se organizam em cooperativa de alimentos orgânicosA cooperativa surgiu nos anos 70. “Os Estados Unidos estavam no auge da contra cultura: movimento pelos direitos civis, contra a guerra do Vietnã. A gente, além de pensar em política, começou a pensar em comida: de onde vem? Podemos confiar no agrobusiness? Como viver sem agrotóxicos?", afirma Joe, um dos fundadores.

Joe arregaçou as mangas e organizou um grupo de pessoas. Eles selecionaram fornecedores e juntos começaram a trabalhar.

As mercadorias não podem custar mais do que 21% do preço de custo. Os funcionários são os associados. Eles não recebem salário e o pagamento é o direito de comprar na cooperativa. Os empacotadores, a moça do caixa, faxineiros... são todos associados.

A professora universitária Marcella se equilibra na escada para arrumar as prateleiras. “Como italiana, gosto muito de cozinhar e de produtos frescos”, garante. Ela conta com a ajuda da professora de yoga, para estocar os saquinhos de batata.

Cada associado precisa trabalhar pelo menos 2h45 por mês. No subsolo, uma equipe se divide para embalar pedaços de queijo, ervas, frutas, secas.

Laurie é designer de uma loja sofisticada em Manhattan. Ela prepara os saquinhos de cerejas. “A gente faz com amor", ela diz.

Além dessa preocupação grande com o que as pessoas comem, existe também um cuidado com o meio ambiente. A energia elétrica usada no local vem dos ventos. A companhia de eletricidade de Nova York oferece um plano em que as pessoas podem optar por usar energia limpa e é essa que está iluminando as prateleiras, a gôndola, todo o supermercado.

A conta de luz fica 15 mil dólares mais cara, por ano, mas ninguém reclama de pagar mais. Nesse caso, é para proteger o meio ambiente.

O mercado não dá lucro. O dinheiro das vendas é usado para comprar mais mercadoria e para manter a cooperativa.

A brasileira Fernanda trabalha no caixa. “Totalmente hippie, super hippie. O que é mais legal é esse ambiente de comunidade que eu não vejo em São Paulo. Todo mundo se ajuda, todo mundo se conhece, uma vida de bairro, um dia você está trabalhando, outro dia você conhece vizinhos, é uma vida de bairro”, conta.

Fonte: Jornal Hoje - Giuliana Morrone Nova York, EUA

sexta-feira, 25 de março de 2011

Mais de um bilhão de litros de agrotóxicos foram despejados no ambiente na última safra

Segundo informações fornecida pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (SINDAG)para o Correio do Estado, Campo Grande/MS, mais de um bilhão de litros de agrotóxicos foram utilizados na última safra do País.

TRATA-SE DE NOVO RECORDE.

Se confirmado o volume de vendas estimado em 2010 pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), esse recorde pode ser superado. A entidade estima um crescimento de até 8%, em relação ao período anterior.

Mas para onde vai este veneno? Grande parte dele vai parar nos alimentos à venda nos supermercados, nas feiras. Ou seja, vai parar na mesa da população e, depois, no estômago.

Um estudo realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detectou no pimentão mais comum, vendido nos supermercados, substâncias tóxicas no patamar de 64% além da quantidade permitida. Na cenoura e na alface, foram encontrados 30% e 19% de agrotóxicos acima do recomendável pelo órgão do governo. Vale lembrar que a quantidade limite de agrotóxicos e produtos proibidos são diferentes para cada cultura, mas é certo afirmar que estamos comento produtos envenenados.

Além da contaminação dos alimentos, os agrotóxicos estão se dispersando no meio ambiente, seja na terra, água e até mesmo o ar. Muitos desses agrotóxicos comercializados no Brasil, inclusive, formam banidos da União Europeia (UE).

Uma operação da Anvisa, que durou aproximadamente dez meses e visitou sete fábricas de agrotóxicos instaladas no Brasil, concluiu que seis delas desrespeitavam as regras sanitárias e tiveram as linhas de produções fechadas temporariamente. Entre as irregularidades encontradas, estão o uso de matéria-prima vencida e adulteração da fórmula.

Para a gerente de normatização da Anvisa, Letícia Silva, as irregularidades encontradas se tornam mais preocupantes, pois esses agentes químicos são comercializados e estão se espalhando pelo meio ambiente.

“É bastante assustador. Principalmente quando pensamos que a água que bebemos está contaminada. Há estudos que mostram que há resíduos de agrotóxico na água da chuva e no ar. Um estudo feito pela Universidade Federal do Mato Grosso constatou que há resíduos de agrotóxicos no ar respirado em escolas da zona rural e até mesmo urbana, de municípios que plantam soja. Está em xeque nossa possibilidade de decidir. Começa aparecer indícios que toda uma cadeia alimentar está contaminada, desde a água, o solo, até o ar.

Letícia Silva se refere ao estudo da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foram medidos os efeitos do uso de agrotóxicos em moradores de dois municípios produtores de grãos: Campo Verde e Lucas do Rio Verde.

Foi constatado que os agrotóxicos estão até mesmo no sangue e na urina das pessoas. O levantamento monitorou a água dos poços artesianos e identificou a existência de resíduos de agrotóxicos em 32% das amostras analisadas.

Em 40% dos testes com a água da chuva, também foi identificada a presença de venenos agrícolas. Nos testes com o ar, 11% das amostras continham substâncias tóxicas, como o endossulfam, proibido pelo potencial cancerígeno.

Leia no Correio do Estado

terça-feira, 22 de março de 2011

Leite materno está contaminado com agrotoxico cancerígeno em Lucas do Rio Verde, MT

A Rede Brandeirantes, no Jornal da Band, ontem dia 21 de março de 2011, trouxe reportagem informando que segundo uma pesquisa revelou contaminação do leite materno por agrotóxicos usados em plantações em uma cidade no Mato Grosso. As amostras foram colhidas de 62 mulheres atendidas pelo programa de saúde da família do município de Lucas do Rio Verda, a 350 km de Cuiabá. Os níveis de agrotóxicos encontrados estão bem acima da média e põem em risco a saúde humana.

Em 100% das amostras foi encontrado ao menos um tipo de agrotóxico e em 85% dos casos foram encontrados entre 2 e 6 tipos.

A substância com maior incidência é conhecida como DDE, um derivado de outro agrotóxico, DDDT, proibido pelo Governo Federal em 1998 por provocar infertilidade no homem e abortos espontâneos nas mulheres.

Leia na Band

quinta-feira, 17 de março de 2011

Nestlé e Kraft serão processadas por rótulos em transgênicos

Da Agência de Noticial Jornal de Floripa
16/03/2011 às 16h34min
Empresas como Nestlé, Kraft Foods e Pepsico do Brasil responderão a processos administrativos por descumprirem regras de rotulagem em produtos que contêm ingredientes transgênicos. Os processos administrativos foram instaurados nesta quarta-feira pelo DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor), do Ministério da Justiça.

O órgão identificou as irregularidades em fiscalização realizadas em diferentes regiões do país em parceria com o Procon de São Paulo, Bahia e Mato Grosso.

Os produtos são: biscoito recheado Trakinas (fabricado pela Kraft Foods), biscoito Bono sabor morango (Nestlé), Baconzitos Elma Chips (Pepsico do Brasil), barras de cereais Nutry (Nutrimental), bolinho Ana Maria Tradicional sabor chocolate (Bimbo do Brasil), biscoito recheado Tortinha de chocolate com cereja (Adria Alimentos do Brasil), farinha de milho Fubá Mimoso (Alimentos Zaeli), biscoito de morango Tortini (Bangley do Brasil Alimentos), mistura para bolo sabor coco Dona Benta (J. Macedo) e mistura para panquecas Salgatta (Oetker).

Os resultados dos testes, realizados por laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura, apontaram substâncias transgênicas no milho e na soja usados como ingredientes, informou o Ministério da Justiça.

A falta de informação a respeito dos ingredientes transgênicos descumpre o Código de Defesa do Consumidor e o decreto 4.680/2003, que tornou obrigatória a informação, no rótulo do produto, sobre a presença de organismos geneticamente modificados em quantidade superior a 1%.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Agroecologia pode dobrar produção de alimentos em 10 anos

Da Rede Brasil Atual

Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual
Publicado em 13/03/2011, 08:45

Rio de Janeiro – Ao mesmo tempo em que a alta mundial no preço dos alimentos atinge seu maior patamar em duas décadas e dá força redobrada ao fantasma da fome que persegue as populações pobres dos países economicamente mais vulneráveis, um informe da Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a agroecologia pode duplicar a produção alimentar nos próximos dez anos. Divulgado na terça-feira (8) pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos, o documento que, segundo a ONU, foi embasado por “uma exaustiva revisão da literatura científica mais recente”, defende a agroecologia como “meio para incrementar a produção alimentar e melhorar a situação dos mais pobres”.

Os estudos que embasaram o informe foram coordenados pelo belga Olivier de Schutter, que desde 2008 é relator especial da ONU sobre direito à alimentação: “Para poder alimentar a nove bilhões de pessoas em 2050, necessitamos urgentemente adotar as técnicas agrícolas mais eficientes conhecidas até hoje. Neste sentido, os estudos científicos mais recentes demonstram que ali onde reina a fome, especialmente nas zonas mais desfavorecidas, os métodos agroecológicos são muito mais eficazes para estimular a produção alimentar do que os fertilizantes químicos.”

De acordo com os casos relatados no documento da ONU, projetos agroecológicos desenvolvidos nos últimos anos em 57 países em desenvolvimento registraram um rendimento médio de 80% em suas lavouras. Isso significa, por exemplo, um aumento de 116% na média de todos os projetos desenvolvidos na África. “Os projetos mais recentes levados a cabo em 20 países africanos demonstraram que é possível duplicar o rendimento das lavouras em um período de três a dez anos”, afirma Schutter.

A ONU afirma que o modelo agrícola dominante, baseado nas monoculturas e na utilização massiva de agrotóxicos, fertilizantes e outros insumos, “já demonstrou não ser a melhor opção no contexto atual”, além de acelerar o processo de aquecimento global. “Amplos setores da comunidade científica já reconhecem os efeitos positivos da agroecologia sobre a produção alimentar no que se refere à redução da pobreza e à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma o documento.

Menos agrotóxicos

O relatório divulgado pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU também dá destaque aos países que diminuíram consideravelmente a utilização de agrotóxicos nos últimos anos. São citados no documento países como Indonésia, Vietnã e Bangladesh, que reduziram em até 92% o uso de agrotóxicos na produção de arroz, que é o alimento básico das populações camponesas desses países.

Outro exemplo citado no relatório é o do Malauí, país que era grande consumidor de produtos agroquímicos e agora faz com sucesso a transição para um modelo agroecológico. Segundo a ONU, essa transição já tirou da extrema pobreza 1,3 milhões de pessoas, além de aumentar o rendimento das lavouras de milho do país de uma para três toneladas por hectare. “O conhecimento substituiu os pesticidas e fertilizantes”, comemora Olivier de Schutter.

O relator especial da ONU sobre o direito à alimentação afirma que o Estado tem um “papel fundamental” a cumprir no fortalecimento da agroecologia. “As empresas privadas não investirão tempo e dinheiro em práticas que não podem proteger com patentes e que não pressuponham uma abertura dos mercados para novos produtos químicos ou sementes melhoradas”. Schutter também exortou os Estados a darem maior apoio às organizações camponesas que, segundo ele, “demonstraram uma grande habilidade na hora de difundir as melhores práticas agroecológicas entre seus membros”.

Veja o relatório na página da ONU

sexta-feira, 11 de março de 2011

ONU vê morte de abelhas por agrotóxico como risco para alimentação

Da Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 11/03/2011, 13:35

Última atualização às 13:51
ONU vê morte de abelhas por agrotóxico como risco para alimentação

Estudo alerta para redução de 30% na população de abelhas nos Estados Unidos.

São Paulo – O Programa da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) advertiu, nesta sexta-feira (4), que a morte massiva de abelhas por conta do uso indiscriminado de agrotóxicos terá efeito sobre a produção de alimentos.

Um estudo indica que estes insetos são os mais afetados pelo crescimento da aplicação de defensivos agrícolas em todo o mundo. O problema é que as abelhas são fundamentais para a polinização das flores, o que permite a fecundação para a produção de alimentos, que poderá sofrer uma redução caso não sejam tomadas medidas preventivas.

De acordo com o PNUMA, as colônias desse tipo de inseto diminuíram 30% nos Estados Unidos, ao passo que, na Europa, a perda da população apícola está em torno de 20%.

“Carecemos de conhecimentos básicos comparados com os dados que se tem sobre as enfermidades das vacas. Estamos começando quase do zero em um tema que nunca havia sido levado a sério”, advertiu Peter Neumann, pesquisador do Centro de Investigação Swiss Bee e um dos autores do estudo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Comunidade usa água contaminada por agrotóxicos no interior do Ceará

Do UOL
13/02/2011 - 07h15
Kamila Fernandes
Especial para o UOL Notícias
Em Fortaleza

Incolor, inodora, insípida. Assim é a água que a comunidade de Tomé, no alto da Chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte (a 198 km de Fortaleza), recebe nas torneiras de todas as suas casas. Contudo, ao analisar 46 amostras dessa água retiradas de diferentes pontos de distribuição, um estudo da Faculdade de Medicina da UFC (Universidade Federal do Ceará) constatou que em todas há resquícios de diferentes tipos de defensivos agrícolas, o que faz dessa água uma ameaça à saúde de todos que a ingerem.

Supostamente por denunciar esse fato, o líder comunitário José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, foi morto com 19 tiros em abril do ano passado, crime até hoje impune. E agora, o Ministério Público do Estado do Ceará ingressou na Justiça uma ação civil pública para pedir a suspensão imediata da entrega dessa água aos moradores do local e sua substituição por água potável, própria para o consumo, nem que seja por carros-pipa.

A água, distribuída pelo SAAE (Sistema Autônomo de Água e Esgoto) de Limoeiro do Norte, é retirada de canais do projeto de irrigação Jaguaribe-Apodi, do Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra as Secas). Nesse projeto, estão instaladas empresas nacionais e multinacionais que produzem frutas e grãos e que pulverizam agrotóxicos nas plantações, tanto com o auxílio de tratores como de aviões. Da mesma forma que atingem as lavouras, esses defensivos caem na água, que corre a céu aberto entre os lotes irrigados, até chegar nas casas das famílias de Tomé.
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A água é cobrada regularmente pelo SAAE. “Em síntese, o SAAE de Limoeiro do Norte cobra pelo serviço de fornecimento de água, o qual vem prestando de forma absolutamente ineficiente, pois fornece água imprópria ao consumo humano aos consumidores residentes na comunidade do Tomé”, diz a ação civil pública assinada pela promotora Bianca Leal Mello da Silva Sampaio.

A permissão para o uso da água é dada pela Fapija (Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi), que, em troca, recebe do SAAE o equivalente aos custos da energia elétrica do projeto de irrigação, cerca de R$ 350 mil por mês. Apesar de fornecer a água, o próprio presidente da Fapija, Raimundo César dos Santos, não garante que ela é potável. “Essa é uma água de uso exclusivo para irrigação. A gente não se responsabiliza por ela”, afirmou, minimizando, em seguida, o tom de alerta da própria fala. “Fizemos um estudo de R$ 1.500 nessa água e não encontramos nada de errado. E lá está disponível para qualquer cidadão atestar isso também.”

Em frente a um das piscinas do projeto que funcionam como reservatório, porém, a própria entidade mandou instalar placas com os seguintes dizeres: “Atenção, água não potável” e “Atenção, proibido banho e pesca”.

Santos justifica a permissão para o uso da água para abastecimento humano como uma forma de viabilizar o uso da energia elétrica para o bombeamento para irrigação. “Estamos no alto da Chapada do Apodi, a 110 metros de altitude, e toda a água que passa pelos 40 quilômetros de canais precisa ser bombeada o tempo todo. São 4.800 metros cúbicos de água por hora e sete bombas. Se não for assim, não dá para ter plantação de nada”, afirmou.

Danos à saúde

O estudo do grupo Tramas, da Faculdade de Medicina da UFC, constatou a presença de 22 princípios ativos de agrotóxicos na água consumida pela comunidade de Tomé, assim como em outras quatro localizadades. Entre os defensivos há inseticidas, fungicidas, herbicidas e acaricidas. Eles são usados, segundo o geógrafo Diego Gadelha, do curso de Saneamento Ambiental do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará), especialmente para combater uma praga das plantações de banana, a sigatoka-amarela, um fungo que aparece nos bananais em períodos chuvosos, por causa da umidade.

Quando há pulverização aérea, o veneno não atinge só a água. As casas dos moradores da região também são afetadas, além dos próprios moradores. A pulverização com trator também não evita estragos. “Há um estudo da Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará) que mostra que água subterrânea, de poços, também está contaminada. Com isso, os animais, os alimentos, as pessoas, tudo está sendo atingido. E os danos vão aparecer principalmente a longo prazo, já que o veneno fica se acumulando no organismo”, disse.

Para alguns que trabalham na agricultura, os sintomas, porém, já são visíveis. Pelo menos 17 pessoas na comunidade tiveram câncer, doença que pode estar relacionada à exposição prolongada aos agrotóxicos. Outros apresentaram doenças como dermatites, desregulação hormonal, dificuldades respiratórias e insuficiência do fígado e dos rins. Um agricultor de 29 anos morreu por uma doença crônica no fígado. Em todos esses casos, percebeu-se a influência de substâncias usadas nos defensivos agrícolas.

Depois da morte de Zé Maria com 19 tiros, bem na época em que foi divulgado o estudo da UFC comprovando a existência de agrotóxicos na água entregue no Tomé, a população dali – cerca de 2.000 pessoas - ficou assustada. Ainda assim, todo dia 21, data em que o líder da comunidade foi morto, acontece uma manifestação na região.

A constatação de que a água está imprópria para o consumo humano, porém, não fez com que a maioria parasse de usá-la. “Há uns três meses, a prefeitura começou a mandar água em carros-pipa para abastecer caixas d'água da localidade. Só que, aos poucos, como não é nada simples sair de casa com o balde para buscar água, as pessoas voltaram a usar a da torneira. E a própria prefeitura, há um mês, deixou de abastecer de novo os reservatórios com água potável”, disse o geógrafo Gadelha. “Como os problemas não surgem do dia para a noite, todos vão usando”, completou.

Para o presidente do SAAE, Antônio Mauro da Costa, as pessoas querem a água ali, e não há agora outra forma de levar se não retirando do projeto de irrigação. A única alternativa seria a construção de uma adutora, no valor de R$ 7,5 milhões, dinheiro que ainda não tem previsão de ser conseguido. Costa afirma que também tem estudos que mostram que a água é boa para o consumo, apesar de a Fapija ter instalado placas informando que ali a água não é potável.

“Se ali a água é contaminada, a do rio Jaguaribe também é, e a dos outros afluentes e de toda região do Vale do Jaguaribe também são, porque aqui existe a maior empresa a céu aberto do Nordeste, onde mais de 10 mil pessoas são empregadas. E a luta é para se aumentar a área irrigada. Se não puder mais usar os defensivos, tudo isso vai acabar”, disse Costa.