quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Agrotóxicos proibidos no Brasil são usados em lavouras de arroz no RS


G1 Constatação foi feita por programa de segurança alimentar da UFSM. Pesquisadores encontraram resíduos de produtos tóxicos em amostras.


Agrotóxicos não autorizados no Brasil estão sendo usados em lavouras de arroz no Rio Grande do Sul. A constatação foi feita pelo programa de segurança alimentar da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que identifica e avalia a quantidade de agrotóxicos utilizados nos alimentos. A reportagem é do RBS Notícias (veja o vídeo).
Amostras de frutas, grãos, carne e leite são avaliadas no Laboratório de Análise de Resíduos de Pesticidas (LARP), dentro da universidade. Os resultados dos exames ficam prontos em 30 dias. “O analista confere pesticida por pesticida que possa ter sido detectado na mostra e confirma se, realmente, o que o equipamento determinou é o correto”, explica o químico Manoel Martins.
Este ano, a UFSM e o Instituto Riograndense do Arroz (Irga) iniciaram um projeto para verificar a qualidade do cereal no estado. No total, 300 amostras de todas as regiões foram colhidas. A previsão é que, até o fim de 2013, sejam analisados 600 tipos diferentes de arroz.
Já ficaram prontos os resultados de 260 amostras. Em 55 delas, o estudo apontou a utilização de 12 tipos diferentes de agrotóxicos. Três desses produtos não tem autorização de uso para arroz no Brasil. “Inclusive um desses três compostos, o metamidofós, já é banido há bastante tempo na Europa, Estados Unidos e outros países. É um composto bastante tóxico e que, em função disso, foi retirado do comércio pela Anvisa”, diz o gerente técnico do laboratório, Renato Zanella.
Os estudos são financiados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O principal objetivo é monitorar a qualidade de alimentos brasileiros que são exportados. “De modo geral, a gente pode dizer que a produção de arroz hoje segue as boas práticas agrícolas, que é um programa específico que o Irga desenvolve. Esse problema, quando acontece, é em áreas muito específicas pelo mau uso do produto”, afirma o gerente de pesquisa do Irga, Sérgio Lopes.
Ministério da Agricultura tomou conhecimento das irregularidades no arroz gaúcho depois do contato da reportagem e encaminhou um pedido para que a Secretaria de Agricultura do estado faça fiscalizações nas revendedoras de agrotóxicos. “(Vamos verificar) se houve a emissão de um receituário agronômico não adequado, se houve compra inadequada, ou mesmo contrabando dessas substâncias para que haja punição do responsável, ou o revendedor ou o agrônomo ou o próprio agricultor”, diz o coordenador de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Lúis Rangel.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS PARA TODOS.

Meu muito obrigado a todos aqueles que por aqui passaram em busca de informações. Espero ter contribuído um pouco, torcendo para que mais e mais pessoas se convençam de que os agrotóxicos sãoum malefício a vida.

Para celebrar a vida, desejo então a todos vocês: BOAS FESTAS E UM BOM 2013. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Resíduos de antibiótico veterinário atingem o solo

Da Agência USP de Notícias


A presença de resíduos de antibióticos de uso veterinário no solo e em cama de frango (revestimento sobre o qual ficam os animais no criadouro) é comprovada por pesquisa do engenheiro agrônomo Rafael Leal no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba. Os compostos podem favorecer a resistência de micro-organismos aos antibióticos e se acumular em vegetais usados no consumo humano. O pesquisador aponta que ainda não há legislação sobre limites de resíduos no ambiente e recomenda o controle e o monitoramento das substâncias em uso na criação de animais.
Resíduos chegam ao solo nas fezes e urina de animais ou em adubos com esterco
Os resíduos de antibióticos atingem o ambiente de forma direta (fezes e urina de animais que pastam) ou indireta (utilização de esterco animal na adubação de culturas). A pesquisa adaptou e validou uma metodologia analítica para quantificação de resíduos de quatro tipos de antibióticos, as fluoroquinolonas (norfloxacina, ciprofloxacina, danofloxacina e enrofloxacina), aplicada em amostras de solo, cama de frango e solo fertilizado com cama de frango. “Também foi avaliado o potencial de sorção e dessorção dos resíduos, ou seja, a capacidade de serem absorvidos e eliminados dos solos, além da influência dos atributos de solo no potencial de sorção de fluoroquinolonas e sulfonamidas em solos representativos do Estado de São Paulo”, diz Leal.
A orientadora do estudo foi a professora Jussara Borges Regitano, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Foram avaliadas 46 amostras de cama de frango e 11 de solo, coletadas em granjas e áreas agrícolas em Piracicaba (interior de São Paulo) e sete municípios próximos, com importante atividade avícola. Todos os solos coletados apresentaram histórico de aplicação de cama de frango. “Para a obtenção dos compostos foi empregada a extração assistida por ultra-som e a quantificação utilizou cromatografia líquida, empregada na análise de uma vasta gama de resíduos de contaminantes orgânicos em matrizes ambientais”, conta o agrônomo.
As concentrações médias na cama de frango variaram de 1,37 a 6,68 miligramas por quilo (mg kg-1), tendo sido encontrados três dos quatro compostos avaliados (norfloxacina, ciprofloxacina e enrofloxacina). “No caso dos solos, foi encontrado apenas um composto (enrofloxacina), sendo a concentração média bastante inferior a da cama de frango, de 22,93 microgramas por quilo (µg kg-1). , diz Leal. “E m ambos os casos (cama de frango e solo), os valores foram compatíveis com os níveis relatados em outros países, podendo-se citar levantamentos conduzidos na Áustria, China e Turquia”.
Impacto
Segundo o Engenheiro Agrônomo, a ocorrência dos resíduos pode impactar negativamente organismos aquáticos e terrestres (toxicidade crônica ou aguda), mas a questão mais complexa e preocupante é a possível influência no aumento da resistência de micro-organismos aos antibióticos. “As implicações da presença dos resíduos ainda são pouco conhecidas, pois começaram a ser sistematicamente investigadas somente a partir do ano 2000, e o Brasil, carece de pesquisas na área, ignorando possíveis efeitos no ecossistema local”.
Embora não haja uma relação direta de causa e efeito dos resíduos com a saúde humana, Leal observa que as concentrações transferidas ao solo pela aplicação de esterco animal podem favorecer a seleção de populações de micro-organismos resistentes. “Eles poderiam compartilhar a resistência com organismos patogênicos ao homem e reduzir a eficiência dos antibióticos de uso humano, mas não há evidências conclusivas a respeito”, ressalta. “Os resíduos também poderiam ser absorvidos e acumulados nos tecidos vegetais, causando riscos quando da colheita e consumo de alimentos de origem vegetal.”
De acordo com o agrônomo, não há limites estabelecidos para a presença de antibióticos no ambiente (solo, esterco animal, água subterrânea, água superficial, água potável, sedimentos, etc), tanto no Brasil quanto no exterior. “Isso reflete o fato dos estudos sobre o tema serem recentes, mas o estabelcimento de legislação a respeito é apenas questão de tempo”, afirma.
Leal ressalta que o uso prudente e criterioso de compostos antibióticos é a medida mais efetiva para a redução dos riscos ao homem e ao ambiente. “Na prática, isso não se restringe a apenas limitar a duração da pressão seletiva por meio da redução na duração do tratamento e no uso continuado de doses subterapêuticas, mas também inclui controlar os compostos em uso e fazer monitoramento ativo da incidência de resistência”, conclui.
Mais informações: (19) 8127-9377; emailfielpira@yahoo.com.br, com Rafael Leal

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UE rejeita relatório que aponta toxicidade de transgênicos

Do Portal Terra


AFP
A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (Efsa), uma agência da União Europeia, rejeitou definitivamente nesta quarta-feira as conclusões de um relatório polêmico do professor francês Gilles-Eric Séralini segundo o qual o milho transgênico NK 603 e o herbicida Roundup, do grupo Monsanto, são tóxicos.
"As conclusões do estudo (...) não se apoiam com dados", declarou a Efsa em sua avaliação final do artigo publicado em 19 de setembro passado na revista "Food and Chemical Toxicology", e que relançou a polêmica sobre a suposta toxicidade dos transgênicos.
"As importantes omissões na concepção e metodologia" do estudo "implicam que as normas científicas aceitáveis não foram respeitadas e, consequentemente, não está justificado voltar a examinar as avaliações prévias sobre a segurança do milho geneticamente modificado NK603", destacou a Efsa em um comunicado.
A agência europeia explicou que suas conclusões são o resultado de avaliações distintas e independentes realizadas por seus especialistas e por seis membros da UE, entre eles Alemanha, França e Itália.
A recusa da Efsa não é uma surpresa e em sua primeira avaliação os especialistas da agência consideraram que o estudo tinha omissões que impediam considerar boas suas conclusões.
O organismo de pesquisa sobre os tansgênicos do professor Séralini (Criigen) criticou a Efsa, por sua vez, denunciando sua "má fé".
A agência europeia enumera as omissões que os especialistas dos seis estados membros identificaram na metodologia do estudo, entre elas objetivos de estudo pouco claros, o número pouco elevado de ratos utilizados em cada grupo de tratamento, falta de detalhes sobre a alimentação e o tratamento dos animais ou ausência de dados estatísticos chave.
A publicação, em setembro, do informe, ilustrado com fotos de ratos com tumores grandes como bolas de pingue-pongue e que assegura que os ratos alimentados com milho transgênico sofrem de câncer e morrem antes, causou alarme social e relançou a polêmica sobre os transgêncicos.
O estudo foi realizado por uma equipe da Universidade de Caen (noroeste da França), que alimentou durante dois anos duzentos ratos de três formas distintas: exclusivamente com milho transgênico NK603, com milho transgênico NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais usado do mundo) e com milho não modificado geneticamente tratado com Roundup.
No entanto, a Efsa já emitiu dúvidas sobre o estudo em sua primeira avaliação no começo de outubro e pediu informação suplementar ao seu autor.
Poucas semanas depois, duas comissões científicas francesas, o Alto Conselho de Biotecnologia e a Agência de Segurança, também rejeitaram o estudo criticando seus métodos "inadequados".
Na Europa é permitido o cultivo de dois transgênicos, a batata Amflora do grupo alemão Basf, que por enquanto é um fracasso comercial, e o milho MON810 da Monsanto, que pediu para renovar sua autorização.
A recusa do estudo de Séralini pode agora abrir o caminho para que a Comissão Europeia autorize o cultivo na UE de sete transgênicos (seis variedades de milho, inclusive o MON810, e o um tipo de soja) e a comercialização de outros cinquenta produtos destinados à alimentação animal e humanas.

domingo, 18 de novembro de 2012

DEMISSÃO DE GERENTE GERAL DE TOXICOLOGIA DA ANVISA POR DENUNCIAR CORRUPÇÃO É LAMENTÁVEL E PREOCUPANTE.


luisclaudio


O gerente-geral de toxicologia da ANVISA, Luís Cláudio Meirelles, foi exonerado do cargo nesta quarta-feira (14). Segundo carta divulgada hoje, o pesquisador que trabalhava há 12 anos na ANVISA, denunciou irregularidades graves na liberação de agrotóxicos. "As graves irregularidades envolveram o deferimento de produtos sem a necessária avaliação toxicológica, falsificação de minha assinatura e desaparecimento de processos em situação irregular."


Ao constatar as irregularidades, Meirelles tomou as atitudes esperados de um funcionário público: "Em seguida, solicitei ao Diretor-presidente o afastamento do Gerente da GAVRI, pois os problemas estavam relacionados às atividades de sua Gerência, assinalando que houve rompimento da relação de confiança exigida para o cargo.". Entretanto, a medida contrariou interesses maiores dentro da instituição, e na relação com o Ibama e MAPA. 

"As razões para a exoneração me foram transmitidas pelo Diretor-Presidente da ANVISA. Após elogiar o trabalho, a lisura e o reconhecimento externo que conferi à GGTOX, ele me  informou  que, na sua visão, o encaminhamento das irregularidades foi confuso e inadequado, e que faltou diálogo prévio (..). Afirmou, ainda, que o processo de afastamento do gerente da GAVRI não fora apropriado, e que a indagação do Ministério Público sobre esse fato, que antecedeu às investigações internas, não deveria ter ocorrido."

Segundo informações, os agrotóxicos liberados com assinatura falsa de Meirelles seriam utilizados para ferrugem da soja, ou seja, estão ligados aos grandes interesses do agronegócio brasileiro. Ele ainda detalha na carta as pressões que a ANVISA tem sofrido para liberar cada vez mais agrotóxicos, sem a devida preocupação com a saúde da população. Confira a integra da carta de Luís Cláudio:

"Comunico que, no dia 14 de novembro de 2012, deixei o cargo de Gerente Geral de Toxicologia da ANVISA, após ter trabalhado por 12 anos e 9 meses na agência, cedido pela Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ, para onde retorno.

Durante estes anos, tive a oportunidade de interagir com muitos colegas e amigos, que muito me ensinaram. Levo da ANVISA riquíssima bagagem sobre a importância da prevenção e controle que a Vigilância Sanitária desenvolve para produzir saúde e bem-estar para a população. 

Agradeço sinceramente a todos que colaboraram com a minha gestão e, ao final deste texto, segue meu novo endereço profissional na FIOCRUZ, Rio de Janeiro, onde estarei à disposição para o desenvolvimento de trabalhos de interesse público na área da saúde.

Em seguida apresento informações sobre a minha saída da ANVISA e destaco algumas questões preocupantes sobre o contexto atual, que poderão afetar a atuação do setor Saúde no controle de agrotóxicos do Brasil.
 
Sobre os fatos

No início do mês de agosto, identificamos irregularidades na concessão dos Informes de Avaliação Toxicológica de produtos formulados, que autorizam o Ministério da Agricultura a registrar os agrotóxicos no país. Frente aos primeiros fatos, solicitei aos gerentes que levantassem as informações para a imediata adoção de providências. Os levantamentos foram realizados e contaram com a colaboração dos responsáveis pela Gerência de Análise Toxicológica – GEATO e da Gerência de Normatização e Avaliação – GENAV. A Gerência de Avaliação do Risco – GAVRI não colaborou com qualquer informação.

As graves irregularidades envolveram o deferimento de produtos sem a necessária avaliação toxicológica, falsificação de minha assinatura e desaparecimento de processos em situação irregular.

Primeiramente identificamos irregularidade em um produto, posteriormente em mais cinco, e recentemente em mais um, com problemas de mesma natureza. Para cada um deles foi instruído um dossiê com a identificação da irregularidade e a anexação de todas as provas que mostram que o Informe de Avaliação Toxicológica foi submetido para liberação sem a devida análise toxicológica. 

Por ocasião da primeira irregularidade observada, comuniquei de imediato os fatos ao Chefe da Coordenação de Segurança Institucional – CSEGI, que também é Diretor-adjunto do Diretor-Presidente, e ao Diretor da Diretoria de Monitoramento – DIMON. Informei a ambos que estava enviando os processos à CSEGI para adoção de providências e cancelando os documentos de deferimento. Não recebi qualquer orientação adicional ao que propus.

Em seguida, solicitei ao Diretor-presidente o afastamento do Gerente da GAVRI, pois os problemas estavam relacionados às atividades de sua Gerência, assinalando que houve rompimento da relação de confiança exigida para o cargo.

Todos os procedimentos e medidas foram previamente apresentados às instâncias superiores da ANVISA, na busca de auxílio e orientação. As medidas que me cabiam, enquanto gestor da área, foram adotadas para garantir a segurança dos servidores, dos documentos e dos sistemas acessados pelos técnicos da GGTOX, bem como a imprescindível visibilidade institucional.
 
Sobre as medidas adotadas

Para todos os produtos que apresentaram suspeita de irregularidade na avaliação toxicológica, emiti ofícios às empresas, suspendendo o Informe de Avaliação Toxicológica concedido pela GGTOX/ANVISA, bem como determinando, em alguns casos, que se abstivessem de comercializar o produto até que as irregularidades fossem apuradas e sanadas. Também encaminhei os ofícios ao Ministério da Agricultura, com cópia para o IBAMA, notificando as decisões e solicitando as medidas adequadas.
Solicitei à Gerência Geral de Tecnologia da Informação-GGTIN, cópia do backup de todos os documentos da pasta da GGTOX que ficam no servidor da ANVISA. A cópia está disponível na GGTIN e para o Gerente Geral de Toxicologia, no modo leitura.

Encaminhei à CSEGI o relato de todas as medidas adotadas, a descrição detalhada dos fatos e os documentos juntados, para a adoção das providências cabíveis. Informei ainda, em todos os memorandos, que seguíamos na busca de outras possíveis irregularidades, o que poderia resultar no envio de novos processos àquela Coordenação.

Por último, comuniquei os fatos e providências ao conjunto dos servidores, e discutimos a natureza grave do problema. Enfatizei, ainda, a importância de garantir o prestígio da GGTOX-ANVISA e de quem nela trabalha, afastando as estratégias destrutivas que buscam desqualificar a ação reguladora das instituições públicas em episódios com este.
 
Sobre a exoneração

As razões para a exoneração me foram transmitidas pelo Diretor-Presidente da ANVISA. Após elogiar o trabalho, a lisura e o reconhecimento externo que conferi à GGTOX, ele me  informou  que, na sua visão, o encaminhamento das irregularidades foi confuso e inadequado, e que faltou diálogo prévio, o que gerou dificuldades na relação de confiança entre minha pessoa e a Diretoria. Afirmou, ainda, que o processo de afastamento do gerente da GAVRI não fora apropriado, e que a indagação do Ministério Público sobre esse fato, que antecedeu às investigações internas, não deveria ter ocorrido.

Em resposta, discordei dos argumentos apresentados, pois, como dito por ele, não havia críticas à minha gestão, e a solicitação de investigação das irregularidades era de minha obrigação enquanto gestor e servidor público. Também destaquei que respeitei a hierarquia e os encaminhamentos formais. 
Disse ainda que sempre estive à disposição da Diretoria para informá-la dos fatos, e busquei diálogo e orientação junto à CSEGI e à DIMON. Lembrei que, durante o episódio, as gerentes da GEATO e da GENAV não foram chamadas sequer uma vez para informar ou confrontar alguma afirmação que por ventura não tivesse sido clara o suficiente para suscitar uma rápida tomada de providências. 

Também esclareci ao Diretor-Presidente que as manifestações externas sobre a minha exoneração não deveriam ser interpretadas como pressão para me manter nesse cargo, pois eu tampouco desejava continuar a trabalhar sob sua direção. No entanto, zelaria para que a apuração das irregularidades fosse levada até a última instância.
 
Sobre o futuro

Frente ao exposto, considero importante compreender que o episódio das irregularidades deve ser tratado com a firmeza necessária, sem que isto venha denegrir a qualidade do trabalho realizado pela Gerência de Toxicologia ou ocultar a tentativa de desregulamentação do controle dos agrotóxicos no Brasil.

Nesse contexto, destaco alguns fatos que vêm ocorrendo e cujo objetivo é o de retirar competências da Saúde ou “flexibilizar” sua atuação.  Eles têm sido debatidos e repudiados pela Gerência, pelo retrocesso que representam para a sociedade:

- O Projeto de Lei - PL n˚ 6299/2002, ao qual foram apensados outros PLs (PL 3125/2000, PL 5852/2001, PL 5884/2005, PL 6189/2005, PL 2495/2000, PL 1567/2011; PL 4166/2012; PL 1779/2011, PL 3063/2011 e PL 1567/2011), que estão tramitando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, e que retiram competências da ANVISA e do IBAMA nas avaliações de agrotóxicos.
- A criação de uma “Agência nacional de Agroquímicos”, veiculada pela mídia, e cujo conteúdo informa que um dos fatores impeditivos da implementação da nova Agência seria a “resistência dos técnicos da ANVISA”(sic).
- As tentativas de desqualificação da Consulta Pública 02, de 2011, oriunda da revisão da Portaria 03, de 1992, e que estabelece critérios cientificamente atualizados para a avaliação e classificação toxicológica de agrotóxicos. Durante o período da consulta pública, o setor regulado chegou a propor que esta revisão fosse suspensa.
- As tentativas permanentes de impedimento da reavaliação de agrotóxicos ou de reversão das decisões já adotadas, através das constantes pressões políticas e demandas judiciais.  Tais procedimentos tem sufocado o trabalho da Gerência. Oito produtos ainda estão pendentes de conclusão;  a proibição do metamidofós foi emblemática, pelo tanto que onerou as atividades da equipe.
- As tentativas de flexibilização da legislação, com o intuito de permitir a criação de normas que autorizem as alterações de composição e o reprocessamento de produtos, sem critérios técnicos fundamentados.
 
Abraços.
 
Luiz Cláudio Meirelles
Pesquisador em Saúde Pública
meirelles@ensp.fiocruz.br
(21) 2598-2681/2682
Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana – CESTEH
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca – ENSP
Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ
Rua Leopoldo Bulhões, 1480, Manguinhos.
CEP 21041-210 Rio de Janeiro, RJ.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Para comer sem gluten


Suzana Herculano-Houzel 

Escrevi a coluna da Folha desta semana sobre como várias pessoas (eu inclusive) descobrem que suas enxaquecas desaparecem quando eliminam radicalmente o gluten de suas dietas, e várias pessoas escreveram perguntando sobre como fazer isso. É bem mais fácil do que parece, mas seguem aqui algumas dicas.
O que não comer: nada que tenha trigo, cevada ou centeio em sua composição. Isso inclui tudo o que seja feito com farinha de trigo, então lá se vão massas, bolos, pães e biscoitos de modo geral - bom, pelo menos os mais fáceis de encontrar em supermercados, que são feitos com trigo. Também inclui todos os pães à base de trigo, inclusive os "integrais", "naturais" ou o que for. E inclui, para a tristeza de alguns, a cerveja, feita à base de cevada (oooohhh...). A parte boa é que morar no Brasil torna a tarefa fácil: por lei, todos os rótulos são obrigados a indicar se o alimento contém gluten ou não. Por razões de segurança, aqueles que não contêm gluten em sua fórmula mas são feitos em fábricas que processam gluten também se dizem conter gluten. É o caso de alguns iogurtes. Mas para quem não é celíaco mesmo mesmo, esses alimentos em geral são seguros.
O que comer, então? Massas de arroz, fáceis de encontrar na prateleira de produtos orientais do seu supermercado favorito; pães à base de arroz ou mandioca (meu favorito é o que eu mesma faço, à base de polvilho azedo); biscoito de polvilho; bolos à base de creme de arroz ou fubá, ou, meu preferido, bolo de chocolate sem farinha. Hmmmm :o)

Humanos graças à cozinha

SUZANA HERCULANO-HOUZEL

O Homo sapiens não seria energeticamente viável se seguisse uma dieta crua como a dos outros primatas.




O que nos torna humanos, seres com capacidade cognitiva superior à dos outros animais? 

"Nosso enorme número de neurônios" é a resposta que damos em meu laboratório.
Mesmo com um cérebro menor do que o de elefantes e baleias, somos provavelmente os seres com o maior número de neurônios no cérebro, cerca de 86 bilhões.

Como conseguimos tantos neurônios em um cérebro só? Por que um gorila chega a ser três vezes maior do que nós, mas tem o cérebro três vezes menor do que o nosso, com três vezes menos neurônios?

Um novo trabalho de nosso laboratório, publicado na PNAS ("Proceedings of the National Academy of Sciences") em outubro e que ganhou os jornais do mundo, ofereceu pela primeira vez resposta às duas questões: a energia fornecida pela dieta limita o tamanho de corpo e de cérebro que os primatas conseguem sustentar -e estamos aqui porque conseguimos burlar essa limitação.

Com sua dieta crua, manter o corpo e o cérebro que têm já custa aos gorilas quase oito horas diárias de alimentação; quando a estação não ajuda, eles perdem peso.
Fazendo as contas, mostramos que, para um gorila, sustentar além do corpo enorme um cérebro maior ainda não seria energeticamente viável.

Pelas mesmas contas, dado nosso cérebro com três vezes mais neurônios que o dos gorilas... também não deveríamos estar aqui. Com a mesma dieta dos outros primatas, o Homo sapiens não é energeticamente viável: deveríamos passar mais de nove horas por dia comendo para conseguir sustentar o corpo e o cérebro que temos.

Mas estamos aqui e não precisamos passar nove horas por dia comendo. Por quê? Fazemos coro com o primatólogo Richard Wrangham: o que possibilitou o aparecimento de nossa espécie, com seu cérebro cheio de neurônios, foi uma invenção sensacional de algum antepassado nosso, possivelmente Homo erectus: a cozinha.

Cozinhar é uma forma de pré-digestão que não só mais que dobra o rendimento energético dos alimentos como reduz drasticamente o tempo necessário para ingeri-los.

Quando fica fácil conseguir em pouco tempo todas as calorias necessárias para passar o dia, ter um cérebro grande deixa de ser um risco e passa a ser uma vantagem -e propomos que foi essa mudança que impulsionou o aumento enorme e rápido do tamanho do cérebro de nossos antepassados.

Excelente. O problema, contudo, é que nossas invenções seguintes, como a agricultura, a geladeira e o supermercado, tornaram fácil demais... comer demais.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Agrotóxico utilizado como chumbinho é retirado do mercado brasileiro


5 de novembro de 2012

O aldicarbe, principal agrotóxico utilizado de forma irregular como raticida doméstico (chumbinho), foi banido do mercado brasileiro, no mês de outubro. Estimativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que o produto é responsável por quase 60% dos oito mil casos de intoxicação relacionados a chumbinho, no Brasil, todos os anos.
“Os motivos do banimento do aldicarbe do mercado nacional estão relacionados à alta incidência de intoxicações humanas e de envenenamento de animais, devido ao desvio de uso do referido agrotóxico”, explica o diretor de Controle e Monitoramento Sanitário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agenor Álvares. Além disso, o aldicarbe possui a mais elevada toxicidade aguda entre todos os ingredientes ativos de agrotóxicos, até então autorizados para uso no Brasil.
O único produto a base de aldicarbe que possuía autorização de uso, no país, era o Temik 150, da empresa Bayer S/A. Trata-se de um agrotóxico granulado, classificado como extremamente tóxico, que tinha aprovação para uso exclusivamente agrícola, como inseticida, acaricida e nematicida, para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar.
Leia mais no portal da ANVISA

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Saúde conversa com população sobre agrotóxicos em supermercados

O Portal PLENÁRIO de Aracajú divulgou hoje que a  Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa), da Secretaria de Estado da Saúde (SES), trabalha para reduzir o consumo de agrotóxicos no estado.

“Eu só compro alimentos orgânicos. Vale a pena pagar um pouco mais caro, mas garantir a saúde”, disse Ezilda de Santana Santos, técnica de enfermagem, hoje a tarde em um supermercado da capital próximo ao viaduto do DIA.

As palavras de Zilda de Santana Santos refletem o resultado do trabalho da Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa), em reduzir o consumo de agrotóxicos no estado.

Em continuidade a esse trabalho, a Divisa foi até o supermercado conversar com os consumidores. A ação destacou os riscos dos agrotóxicos nos hortifrutigrangeiros e o consumo seguro de alimentos.

De acordo com a gerente de alimentos da Divisa, Rosana Barreto, a ação é de proteção à saúde da população. “Nós encontramos muitos alimentos com resíduos de agrotóxicos acima do permitido e, também, princípios ativos não autorizados. As consequências do consumo desses produtos são muitas, dentre elas dores de cabeça, alergia, além do câncer que pode ser causado nos trabalhadores rurais que manipulam essas substâncias”, disse.

A gerente de alimentos da Divisa também aconselha que os consumidores procurem produtos em lojas que mostrem a origem dos alimentos. “Por meio de uma página internet e pelo código da etiqueta, o consumidor pode conhecer a origem dos produtos que chegam até nossa loja”, explicou Renato Berber, gerente geral do supermercado.

O gerente do supermercado ainda destacou a importância da parceria. “Essa preocupação da Vigilância Sanitária é uma tendência do mercado e nós queremos ofertar produtos de qualidade para nossos clientes”, afirmou Renato Bereber.

“Essas parcerias com os supermercados servem para fomentar o trabalho educativo da Vigilância Sanitária. Agradecemos aos nossos parceiros pela ajuda em promover mais qualidade de vida para a população”, disse Silvio Santos, secretário estadual da Saúde.

Os impactos dos agrotóxicos na segurança alimentar e nutricional: contribuições do CONSEA


O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional elaborou documento sobre os impactos dos agrotóxicos na Segurança Alimentar e Nutricional trazendo uma contribuição importante para nossa reflexão sobre as questões relacionadas a nossa segurança alimentar. 

A Presidente do Conselho, Maria Emília Lisboa Pacheco, traz em sua apresentação a informação de que  Brasil, desde 2008, mantém a preocupante posição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

A realização do Direito Humano à Alimentação Adequada é incompatível com esse quadro. Consideramos que uma alimentação adequada e saudável significa “a realização de um direito humano básico com a garantia de acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais dos indivíduos, de acordo com o ciclo de vida e as necessidades alimentares especiais, considerando e adequando quando necessário o referencial tradicional local. Deve atender aos princípios da variedade, qualidade, equilíbrio, moderação e sabor, às dimensões de gênero, etnia, e às formas de produção ambientalmente sustentáveis, livres de contaminantes físicos, químicos e biológicos e de organismos geneticamente modificados”, consoante uma das resoluções da III Conferencia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional de 2007.

Por isso, o Consea decidiu colocar no centro de seus debates o modelo de produção de alimentos prevalecente no país: a monocultura exportadora baseada no uso intensivo de insumos agrícolas industrializados, com ênfase nos agrotóxicos. E propõe nesse momento uma Mesa de Controvérsias sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Segurança Alimentar e Nutricional.

Fundamentalmente, esse debate pretende fazer ponderações sobre o alcance e a validade dos argumentos
subjacentes às ações públicas e privadas que contribuem para o Brasil ter uma participação tão significativa no mercado de agrotóxicos do mundo. 

As principais afirmações em tela são: (i) o clima e a dimensão da agricultura brasileira exigem o uso intensivo de agrotóxicos, de modo que o nível de agrotóxicos atualmente seria adequado e congruente como papel da agricultura na economia brasileira e mundial; (ii) alguns problemas podem ser identificados, todavia são resultado do mau uso de um instrumento necessário; logo, as políticas públicas não devem coibir o uso de agrotóxicos, mas apenas fiscalizar sua administração; (iii) ainda que se reconheça a existência de problemas, mesmo com o bom uso, a aplicação de veneno é um mal necessário sem o qual é impossível produzir alimentos em quantidade suficiente para alimentar, a preços acessíveis, a população brasileira e parcela significativa da população mundial; e (iv) eventuais restrições ao uso de “defensivos” desestruturaria a produção agrícola e resultaria no aumento dos preços dos alimentos, agravando a penúria dos grupos que ainda sofrem de fome no campo e na cidade.

O texto não se reporta a todas essas questões, porém, materializa a tentativa de, a partir dos documentos de posicionamento do Consea e das expressivas manifestações de participantes nas Conferências Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional, contribuir para a construção de respostas que embasem políticas públicas garantidoras de direitos – alimentação adequada e saudável, saúde, meio ambiente saudável, informação – e promotoras da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A avaliação do impacto do uso de agrotóxico no meio ambiente e na saúde humana: o que pensa o estudante do Ensino Fundamental do Município de Bonito – PE?


RESUMO
O impacto do uso de agrotóxicos sem nenhuma proteção e informações sobre os produtos utilizados intensivamente na agricultura, onde os trabalhadores rurais têm sua principal fonte de renda, traz diversos problemas para a saúde humana. Por outro lado, quando usado de forma indevida ocorre danos a saúde e ao meio ambiente. Este trabalho teve como objetivo avaliar o impacto do uso de agrotóxico ao meio ambiente e a saúde humana por alunos do ensino fundamental da zona rural de Bonito – PE. A metodologia utilizada consistiu em aplicação de questionário e em seguida trabalhar a temática em sala de aula. Ao final, os alunos produziram cartilhas, gibis e codéis, os quais foram usados para sensibilizar a população quanto ao uso adequado dos agrotóxicos.


Relatório da Câmara dos Deputados relaciona agrotóxico a câncer em Unaí

Comissão de deputados diz que incidência de câncer é três vezes maior. Documento pede criação de estudo específico sobre uso de agrotóxicos.


Frei Gilvander Moreira diz que o que o motivou a sair de Belo Horizonte e ir até Unaí, a 580 km de distância, para gravar o vídeo, agora contestado na Justiça, foi sua relação afetiva com a cidade. Ele morou lá durante a infância, dos 4 aos 8 anos de idade. "Conheço a fundo a realidade do Noroeste de Minas, inclusive porque existe uma ordem dos Carmelitas lá em Unaí."
No vídeo polêmico, o frei entrevista uma moradora de Arinos, cidade vizinha a Unaí, dizendo que o feijão servido na merenda escolar está contaminado por agrotóxicos. A marca produtora do feijão entrou na Justiça alegando que foi difamada e o juiz da Comarca de Unaí determinou retirada do vídeo da internet em até cinco dias, sob pena de multa e prisão em flagrante do frei Gilvander e dos representantes legais do Google no Brasil.
Segundo o frei, o número de pessoas com câncer na região aumentou muito nos últimos anos. "É difícil encontrar uma família que não tenha algum parente que está com câncer ou morreu da doença. Eles vão de ônibus para Ribeirão Preto fazer tratamentos e agora, numa cidade com 80 mil habitantes, vão criar um Hospital de Câncer. Onde já se viu isso? É muito grave e estamos preocupados."
O que o levou a relacionar a incidência de câncer ao uso de agrotóxicos foi um estudo realizado pela Subcomissão Especial Sobre Uso de Agrotóxicos e Suas Consequências à Saúde, criada pela Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, em 2011.
Ao final dos trabalhos, com vistorias in loco, a comissão, composta de seis deputados federais e seis suplentes, escreveu um relatório que concluiu: "A incidência de câncer em regiões produtoras de Minas Gerais, que usam intensamente agrotóxicos em patamares bem acima das médias nacional e mundial, sugere uma relação estreita entre essa moléstia e a presença de agrotóxico. Neste estado, na cidade de Unaí, esta sendo construído um Hospital de Câncer, em virtude da grande ocorrência desta doença na região. Segundo os dados apresentados na Ausculta Pública que realizamos nesse município, já estão ocorrendo cerca de 1.260 casos/ano/100.000 pessoas. A media mundial não ultrapassa 400 casos/ano/100.000 pessoas."
O relatório recomendou à Secretaria Geral da Presidência da República e ao Ministério da Casa Civil "que a União promova um estudo específico, por intermédio principalmente dos órgãos do Ministério da Saúde, sobre o uso dos agrotóxicos e suas consequências à saúde da população, principalmente na região de Unaí/MG, devido a constatação de um alto índice de casos de câncer nesta região e ser uma região onde ocorre também um intenso consumo de agrotóxicos".
Também resultou em um projeto de lei, de autoria do deputado mineiro Padre João (PT), que quer criar um monitoramento permanente sobre as condições dos agrotóxicos do país. O projeto foi apresentado em plenária em agosto e continua em tramitação.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Agrotóxicos

Raquel Rigotto

Desde a Antiguidade clássica agricultores desenvolvem maneiras de lidar com insetos, plantas e outros seres vivos que se difundem nos cultivos, competido pelo alimento. Escritos de Romanos e Gregos mencionavam o uso de certos produtos como o  arsênico e o enxofre para o controle de insetos nos primórdios da agricultura. A partir do século XVI registra-se o emprego de substâncias orgânicas como a nicotina e o piretros extraídos de plantas na Europa e EUA.

Entretanto, há cerca de 60 anos, o uso de agrotóxicos vem se difundindo intensamente na agricultura, e também no tratamento de madeiras, construção e manutenção de estradas, nos domicílios e até nas campanhas de saúde pública de combate a malária, doença de chagas, dengue, etc (Silva et al, 2005).  Esta escalada inicia-se a partir da segunda metade  do século XX, quando pesquisadores e empreendedores de países industrializados prometiam, através de um conjunto de técnicas, aumentar estrondosamente a produtividade agrícola e resolver o problema da fome nos países em desenvolvimento. Conformava-se a chamada Revolução Verde, como modelo de produção racional, voltado à expansão das agroindústrias, com base na  intensiva utilização de sementes híbridas, de insumos industriais (fertilizantes e agrotóxicos),  mecanização da produção, uso extensivo de tecnologia no plantio, na irrigação e na colheita,  assim como no gerenciamento (Moreira, 2000). 

Findas as grandes guerras, foi um caminho encontrado pelas indústrias de armamentos para manter os grandes lucros; assim, os materiais explosivos transformaram-se em adubos sintéticos e nitrogenados, gases mortais em agrotóxicos, e os tanques de guerra em tratores (Fideles, 2006).

No Brasil, o Plano Nacional de Desenvolvimento Agrícola – PNDA, lançado em 1975, incentivava e exigia o uso de agrotóxicos, oferecendo investimentos para financiar estes “insumos” e também ampliar a indústria de síntese e formulação no país, passando de 14 fábricas em 1974 para 73 em 1985 (Fideles, 2006).

Uso de agrotóxicos e os danos à saúde humana são tema de palestra em Pato Branco - PR

 Diário do Sudoeste 
 Dayanne do Nascimento
 Publicado em 26 de Outubro de 2012, às 07h50

Integrando a 1ª Semana Estadual de Saúde e Segurança no Trabalho, as regionais das secretarias estaduais do Trabalho e da Saúde de Pato Branco, promoveram na manhã desta quinta-feira (25), uma palestra com o sanitarista da Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa), Alfredo Benatto. 


Ele apresentou a palestra sobre “O uso de agrotóxicos e a saúde humana”, onde trouxe à tona os danos causados à saúde humana, pelo uso dos defensivos agrícolas. Em sua fala, Benatto apresentou as principais empresas que dominam o mercado de agrotóxico e o quanto o sistema agrícola brasileiro é dependente dos defensivos para ter rentabilidade. “Hoje os produtores tem uma grande dependência econômica à essa tecnologia, apesar dela ser extramente impactante para toda a sociedade”, comentou. 

De acordo com ele, os riscos do contato com os defensivos agrícolas vão desde uma intoxicação alimentar leve, em que as pessoas geralmente confundem e acham que o mal estar foi causado por alguma outra coisa, que não o agrotóxico, à doenças mais graves, como o próprio câncer de mama. O profissional defende também, que as equipes médicas não estão preparadas para identificar nas pessoas, as consequências causadas pelos agrotóxicos. “Os médicos não tem qualificação suficiente em toxicologia, até porque eles não recebem um treinamento na universidade de forma mais aprofundada e então tem dificuldade para fazer o diagnóstico”, comentou. 

Paraná 

Outro dado que o profissional apresentou, é que o Brasil é um dos maiores países do mundo a consumir defensivos agrícolas e o Paraná, no ranking nacional, está como o terceiro, entre os estados que mais utiliza esses produtos em suas lavouras. “A média nacional de consumo de defensivos é de 5 kg por habitante, a nossa aqui no Paraná é de 12 kg por habitante. É como se a gente estivesse comendo 12 kg de veneno por ano”, afirmou. Segundo Benatto, a única maneira de transformar essa realidade seria mudar o modelo agrícola brasileiro, conscientizar a população que o melhor caminho é o da agroecologia, a qual ajudaria a preservar a saúde ambiental e a das pessoas.

Estive no dia 24 de outubro em Francisco Beltrão na Unioeste onde fiz, também, uma palestra que está postada na página da Assessoar com o seguinte título:

Debate sobre os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana reúne mais de 350 pessoas na UNIOESTE

10 passos para evitar surpresas desagradáveis no bufê - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo

A Gazeta do Povo traz essa boa reportagem sobre como escolher bem um restaurante se você se alimenta rotineiramente fora de casa, vale a leitura.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pesticidas matam abelhas e prejudicam polinização

Do Estadão OSLO - O Estado de S.Paulo
Pesticidas estão matando abelhas operárias e prejudicando sua alimentação, conclui estudo na revista Nature que mostra que essas colônias, vitais para a polinização, têm maior probabilidade de sucumbir na presença dessas substâncias. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que um terço de todos os alimentos de origem vegetal dependem da polinização das abelhas. Cientistas têm se preocupado com a queda do número de abelhas em tempos recentes, principalmente na América do Norte e na Europa. Pesquisadores britânicos expuseram, por quatro semanas, colônias formadas por 40 abelhas mamangava - maiores que as abelhas de mel comuns - aos pesticidas neonicotinoide e piretroide. No grupo exposto, dois terços das abelhas se perderam (morreram ou não retornaram). No grupo controle, apenas um terço se perdeu. Além disso, as abelhas que receberam os pesticidas só conseguiram colher cerca de metade do pólen em comparação com as outras abelhas. Os achados ressaltam a importância de testes mais amplos, para assegurar que os pesticidas não atinjam também as abelhas. / REUTERS Veja no Estadão

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Paris pedirá interdição de transgênicos se forem prejudiciais à saúde

DIJON, 20 Set 2012 (AFP) -O primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault anunciou nesta quinta-feira que se o perigo dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) for comprovado, a França defenderá em nível europeu sua interdição, após a publicação de um estudo alarmante a este respeito.

"A publicação de um estudo realizado por cientistas franceses questionando seriamente a segurança em longo prazo do milho transgênico NK 603 provocou um encaminhamento imediato da Agência de Segurança Sanitária e da Autoridade de Segurança Alimentar Europeia", declarou o chefe de Governo em um discurso em Dijon (centro).

"Eu pedi um inquérito rápido, na ordem de algumas semanas, que permita verificar a validade científica deste estudo", acrescentou.

"Se os resultados forem conclusivos, (o ministro francês da Agricultura) Stéphane Le Foll defenderá a proibição dos OGM em nível europeu", disse ele.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

BRASIL: PARAÍSO DOS AGROTÓXICOS

Matéria da  Revista Ciência Hoje escrita por  Henrique Kugler.

O Brasil é a lixeira tóxica do planeta. Desde 2008, somos os maiores consumidores globais de insumos
químicos para agricultura. Mas, diante de uma balança comercial envaidecida por números sedutores, discutir os reveses desse modelo agrário tornou-se tabu. A eterna e robusta economia agroexportadora, baseada em bens primários de baixo valor agregado, insiste em se reafirmar – ainda que assombrada por uma crise de percepção e acompanhada de temerosas dívidas sociais e ambientais.
O Brasil vive um drama: ao acordar do sonho de uma economia agrária pujante, o país desperta para o pesadelo de ser, pelo quinto ano consecutivo, o maior consumidor de agrotóxicos do planeta. Balança comercial tinindo; agricultura a todo vapor. Mas quanto custa, por exemplo, uma saca de milho, soja ou algodão? Será que o preço de tais commodities – que há tempos são o motor de uma economia primária
à la colonialismo moderno – compensa os prejuízos sociais e ambientais negligenciados nos cálculos do comércio internacional?

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

REFLEXIVIDADE NA SOCIEDADE DE RISCO: CONFLITOS ENTRE LEIGOS E PERITOS SOBRE OS AGROTÓXICOS



JULIA S. GUIVANT *

Artigo publicado in Herculano, Selene (Org.), Qualidade de vida e riscos ambientais. Niteroi: Editora da FF, 2000. Pp. 281-303.

INTRODUÇÃO

Ao pesquisar sobre o que cientificamente pode ser demonstrado sobre agrotóxicos e seus riscos, o quadro não poderia ser mais desalentador. No debate encontram-se presentes os defensores, os detratores e os agnósticos em relação aos riscos, posições que permeiam tanto os leigos como os peritos. Este debate começou a tomar significativas proporções fundamentalmente a partir das denúncias apresentadas por Rachel Carson, em 1962, no seu livro "A primavera silenciosa". A polêmica transparece nos conceitos que se utilizam para se referir a estes insumos.

Falar, como neste artigo, de "agrotóxicos", "biocidas" ou "venenos" já implica um posicionamento crítico. Mas há também os conceitos que subentendem um posicionamento menos ou nada crítico, como "defensivos" -forma a qual se refere a indústria de insumos agrícolas- e "remédios" -como muitos agricultores preferem, ou meramente "insumos químicos".

As indústrias de agrotóxicos e grupos de cientistas tendem a argumentar que os riscos decorrem de um mal uso dos insumos de parte dos agricultores e se aqueles fossem utilizados de uma forma recomendada e imaginada correta, afirmam que os riscos desapareceriam. Entretanto, a comunidade científica aparece dividida sobre o caráter dos riscos e as condições que os produzem. Dentro de diversas áreas, como biologia, química, agronomia, botânica, ecologia e medicina, alguns pesquisadores preferem afirmar que os perigos tendem a ser exagerados, infundados e divulgados de forma sensacionalista, porque os dados são limitados (Sweet et al. 1990). Mas esta mesma limitação das conclusões leva a outros pesquisadores a afirmar que o desconhecimento não é sinônimo de inocuidade dos agrotóxicos e, até que os riscos decorrentes da agricultura moderna não sejam plenamente demonstrados, devem ser tomadas todas as precauções possíveis (National Research Council, 1989; GAO, 1990; Dinham, 1993). Alguns cientistas consideram que para certos perigos, como o câncer, qualquer nível de exposição pode ser de risco, não existindo a possibilidade de definir uma separação entre níveis seguros e inseguros de exposição (Mott e Snyder, 1987: 16).
Este complexo panorama sobre os riscos decorrentes dos agrotóxicos leva a um questionamento sobre a própria definição do que é considerado "risco", sendo, portanto, difícil encontrar respostas que acalmem as dúvidas ou que orientem os  leigos no debate. Neste artigo, considera-se que para entender as diferentes posições que atravessam a questão dos riscos decorrentes dos agrotóxicos é fundamental transcender a temática, situando-a num quadro mais global: o referente ao que os sociólogos Beck (1992, 1994, 1995 a, 1995 b, 1997 e 1998 ) e Giddens (1990, 1991, 1994 e 1998), denominam "sociedade de risco". Estes autores consideram os riscos ambientais e tecnológicos como centrais para entender a sociedade da alta.

*Profa. Dra. do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC. E.mail: guivant@cfh.ufsc.br